Funcionários da EA culpam a própria editora pelo fim da BioWare
Má gerência, mudanças agressivas de cultura, êxodo de talentos, implementação de IA generativa e foco em multiplayer estão entre as razões principais.

Um novo e extenso artigo publicado pelo Vertical Slice e relatado por fontes internas que trabalham nos escritórios da EA em Redwood Shores, na Califórnia, culpam a própria editora americana pelo trágico fim da BioWare.
Foi na semana passada que a EA anunciou o encerramento da BioWare e interrompendo o desenvolvimento do próximo Mass Effect, seguido por uma nota de reestruturação interna da empresa, que também acarretou no cancelamento de um novo The Sims, demissões no estúdio Full Circle (Skate), num total de 400 funcionários perdendo seus empregos.
De acordo com a nova matéria do Vertical Slice, a EA seria a principal responsável por todos os recentes problemas internos na BioWare, seja quanto a gerência do estúdio, seu modelo de negócios ou a como a EA vê o mercado para as franquias do estúdio.
No primeiro tópico, os funcionários mencionam que a EA entitulou um mantra para a BioWare — "faça menos, de forma melhor" — uma tentativa de empreender onde a BioWare deve entregar a mesma qualidade de seus jogos anteriores de sucesso, com menos de 50% do mesmo investimento monetário, e com apenas um terço de equipe.
Ainda de acordo com o artigo, a BioWare foi forçadamente afastada do seus sistemas de RPG pois segundo a EA, esse tipo de jogo não vende. Para substituir isso, o estúdio teve que começar a contratar funcionários sem expertise com Mass Effect, Dragon Age e suas demais franquias, e começar a buscar funcionários que entendessem mais de ação, diálogos cômicos e com foco em tornar o jogo "atrativo e paletável para as massas casuais de jovens".
Além disso, a gestão interna da EA estava puxando o uso de Inteligência Artificial (IA) generativa como o centro do futuro para todo o catálogo de franquias da editora, citando que o próximo Mass Effect deveria servir de exemplo para mostragem aos acionistas da EA de como o uso de IA é o futuro do negócio de videogames; o artigo também menciona que a adoção do Claude será obrigatória em todos os novos jogos da EA daqui pra frente.
Por fim, Dragon Age: The Veilguard é citado como um grande cataclisma de todas essas decisões recentes — o projeto começou como Dragon Age 4 em 2015 sob a direção da equipe que liderou Origins e Inquisition, e ficou em desenvolvimento até meados de 2017 como um título multijogador massivo de role-playing rápido, mirando em jogos como Destiny de exemplo. Posteriormente, o criador da franquia saiu do projeto após relatar desinteresse com o futuro da BioWare, e em 2018 o jogo foi reiniciado como um MMO opcional onde jogariamos entre cooperativo e single-player, mas como foco em um mundo sustentável e rentável, seguindo Anthem como um molde (que na época estava sendo desenvolvido ao mesmo tempo que Dragon Age).
As coisas mudaram quando o jogo ganhou o subtítulo Dreadwolf em 2022, com foco alternando mais uma vez para um jogo de RPG, mas descaracterizado do que fazia a franquia única, para atender o público e mercado atual — a BioWare, já sem grande talento para repor ao projeto, que naquele ponto sofreu 3 reboots, finalizou o jogo sob o nome The Veilguard em 18 meses, e o lançou ao mercado; segundo o artigo da Vertical Slice, o estúdio sabia que o projeto estava fadado a não conseguir atingir o sucesso de seus antecessores, mas não tinha saída, já que a EA os colocaram na corda bamba.
Não é novidade sobre o mal gerenciamento da BioWare. Antes de The Veilguard, Mass Effect: Andromeda sofreu o exato mesmo problema. O jogo chegou em 2017 repleto de bugs e problemas nas expressões faciais dos personagens, após a EA negar o adiamento de 3 meses para polir o projeto porque "precisavam de dinheiro o mais rápido possível". O projeto foi desenvolvido por um estúdio novato e sem experiência, BioWare Montréal, e seria o pontapé de uma possível duologia Andromeda, mas que sofreu diversos problemas no desenvolvimento devido a restrição de usar somente a Frostbite Engine e a indisponibilidade do estúdio principal em Edmonton (autores da trilogia Mass Effect) no projeto, devido aos mesmos já estarem passando pelos mesmos problemas ao mesmo tempo que o estúdio de Montréal, mas com outro jogo, Anthem.
Mais recentemente, um trailer de Mass Effect: Universe vazou ao público, e prometia entregar uma experiência fiel e autêntica, como um RPG puro e inspirado em Baldur's Gate 3 e The Witcher, com o roteiro assinado pela escritora de Deus Ex: Human Revolution. Na manhã dessa terça-feira (27), também fomos informados de que o novo Mass Effect contaria com a trilha sonora do compositor de Journey e o diretor de arte da franquia Halo.


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