Questionando GOTYs: Dragon Age Inquisition (2014)
Após duas décadas batendo na trave, a BioWare conquistou seu primeiro e único prêmio de Jogo do Ano com o aclamado terceiro capítulo de Dragon Age. Mas mereceu?

Um dos estúdios mais aclamados da história, a BioWare por duas décadas perseguiu o sonhado prêmio de Jogo de Ano, disputando em outras 6 ocasiões anteriores e batendo na trave em todas as chances — com Baldur's Gate 2, Star Wars: Knights of the Old Republic, Mass Effect, Dragon Age: Origins, Mass Effect 2 e Mass Effect 3. Em todas eles acabaram perdendo, e entre esses, duas foram por muito pouco.
Eis que em 2014, num ano um pouco menos agitado, Dragon Age: Inquisition surge, o terceiro capítulo da franquia, o primeiro feito na Frostbite 3 da DICE, e consequentemente também, o último jogo do estúdio a disputar o Jogo do Ano. E para o que muitos achavam que seria um prêmio para recompensar todos os anos anteriores, a BioWare de fato leva o prêmio e fecha a noite do The Game Awards 2014 com o jogo mais premiado.
Mas então, mereceu?
Inquisition foi um retorno mais as raízes da franquia após Dragon Age II sofrer de um turbulento desenvolvimento caótico de 16 meses após pressões da EA, o que tornaram o jogo mais action do que RPG, apesar do seu enredo e protagonista, Hawke, ser muito elogiado. Inquisition trouxe um mundo aberto dividido em regiões, uma ampla gama de mecânicas e personalização de personagem, e ainda continuou expandindo o enredo com expansões e DLCs que receberam ampla aclamação crítica semelhante ao jogo base. Não só isso, Inquisition é o jogo mais vendido da franquia Dragon Age até hoje, com quase 20 milhões de cópias.
No percurso da corrida pelo prêmio, a disputa era bastante diferente do convencional, e convenientemente a mais diversa até hoje — contra a BioWare, o principal rival da noite era Middle-Earth: Shadow of Mordor, o título surpresa da Warner Bros. Games e que roubou atenção dos críticos e jogadores por ser um marco tecnológico impulsionado pelo Nemesis System.
Além dele, a FromSoftware surgiu como uma sólida força com seu Dark Souls II, o único jogo da franquia que disputou Jogo do Ano e o mais aclamado da trilogia como um todo, principalmente por seu incrível polimento, imensa quantidade de conteúdo e direção ousada. Apesar do Wii U ter passado em branco por muitos anos com baixas vendas, a Nintendo também fez frente com três jogos: Bayonetta 2, Super Smash Bros. U e Mario Kart 8. O último, viria a se tornar o jogo mais vendido de todos os tempos não só do Wii U, mas também do Switch com Mario Kart 8 Deluxe, e provou que 2014 foi o ano da Big N.
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A surpresa da noite também disputando o prêmio de Jogo do Ano foi nada mais nada menos que o difusor dos jogos de carta e decking moderno, Hearthstone da Blizzard Entertainment. O jogo foi um fenômeno crítico e comercial e fez por si só nascer um mercado imenso em volta de jogos no mesmo estilo, chegando na noite do The Game Awards como um possível azarão.



Mas 2014 não se resume apenas a estes jogos — também se resume a um ano atípico. Como dito, os maiores jogos de destaque do ano acabaram por ser surpresas inesperadas e que estavam com pouco olhar do público. Então o que aconteceu com os jogos mais hypados de 2014? Bem... a maioria falhou.
Destiny chegou no ano com um peso imenso nas costas de revolucionar a indústria, se tornando após GTA V o jogo mais aguardado da década, e o retorno da Bungie após sua saída do Xbox e Halo. Mas o lançamento não foi dos melhores. Com pouco conteúdo, uma história rasa e poucas raids para manter o que seria o início da década Live-Service, Destiny terminou o ano como jogo mais vendido, com quase 25 milhões de cópias, mas a recepção foi mista pela crítica e jogadores.
Watch Dogs, da Ubisoft, prometia ser o próximo GTA, mas acabou virando vítima de suas próprias promessas. Bugs, downgrades gráficos, promessas não cumpridas entre as missões de hack e liberdade no mundo-aberto, junto de um online falho e enredo considerado genérico, o título falhou como maior promessa de 2014 logo no começo do ano, e deixou um gosto amargo para Ubisoft, que ainda voltaria a falhar com outras duas promessas: Assassin's Creed Unity e The Crew. Unity, considerado hoje um dos melhores jogos de toda a saga Assassin's Creed, teve um lançamento pra lá de conturbado, virando a piada do ano por sua quantidade descomunal de bugs, enquanto The Crew entregou um Estados Unidos em escala 1:1 imenso, mas vazio de qualquer atividade interessante ou carisma, e sendo afetado por poucas mecânicas atraentes ou uma campanha memorável.
Mas a Ubisoft não terminou o ano tão feio. Child of Light, um charmoso e tocante JRPG feito na UbiArt de Rayman, trouxe um lado artístico único e uma história emocionante e que recebeu ampla aclamação de jogadores e críticos, apesar de ter vendido pouco. Far Cry 4, que chegou no fim do ano, também atendeu as expectativas e solidificou uma fórmula para a série que começou no terceiro capítulo.



Mas 2014 é mais do que o fracasso dos jogos mais esperados. Tivemos outras surpresas de grande porte também. Titanfall da Respawn e Xbox foi o exclusivo mais vendido do ano apesar de ser um jogo apenas multiplayer, e Sunset Overdrive e Forza Horizon 2 cumpriram suas obrigações no console americano.
Do lado PlayStation, tivemos poucos lançamentos, e alguns deles deixaram a desejar. DriveClub teve um lançamento desastroso com problemas nos servidores e causando tanto alvoroço que acabou culminando no fim do jogo antes mesmo de ser lancado. LittleBigPlanet 3 ficou abaixo das expectativas comparado aos jogos anteriores da série, que receberam aclamação. O destaque fica para inFamous Second Son, o último jogo da série e que foi uma evolução técnica em partículas, efeitos visuais e mostrou o poder do PS4 em ação.
Do lado multiplataforma das coisas, outros jogos foram notórios. Wolfenstein: The New Order foi o reinício da história de BJ Blazkowicz e silenciosamente atraiu sucesso, já Alien: Isolation da SEGA deu palco a uma das melhores ambientações claustrofóbicas e uso de IA inimiga em jogos. The Evil Within surgia por Shinji Mikami como uma nova franquia de surviv-horror e uma história vista pela visão de Sebastian Castellanos, que rapidamente se tornou um personagem querido pela comunidade. Pela Kojima Productions, víamos Metal Gear Solid V: Ground Zeroes, um recorte do prólogo de The Phantom Pain, entregar com primor uma sólida experiência, porém curta e cara.



Do lado independente, Shovel Knight e The Biding of Isaac: Rebirth ganharam forte destaque, seguidos pelo fenômeno Five Nights at Freddy's e This War of Mine. Também é válido relembrar o RPG da Obsidian que adaptou uma famosa série de animação, South Park: The Stick of Truth.
Já por parte de outros ganhadores de Jogos do Ano, a Rockstar remasterizava GTA V para Xbox One e PlayStation 4, enquanto a Bethesda lançava The Elder Scrolls Online com recepção mista. A Telltale, por outro lado, emplacou outro concorrente a melhor jogo de 2014, com a brilhante e sombria aventura de fábulas adulta, The Wolf Among Us, onde controlamos o Lobo Mau, Bigby, para solucionar mistérios envolvendo um crime envolvendo uma importante figura da cidade de Fabletown.
Considerando toda a concorrência, para você, parece previsível que Dragon Age: Inquisition levaria o prêmio?

Para nossa equipe do PXN, não há favoritos para 2014, e todas as opções eram bem-vindas:
- El Asesino: Far Cry 4
- SoldierOfJah: Mario Kart 8
- Al1enado: Metal Gear Solid V: Ground Zeroes
- ZeroJimmy: Middle-Earth: Shadow of Mordor
- Akai: Dragon Age Inquisition
- Nascimento: The Legend of Heroes - Trails of Cold Steel 2
- Billy Butcher: The Wolf Among Us
- Tuiko: Sunset Overdrive
- Fuyushiro: Dragon Age Inquisition
- Rivia: Dark Souls II
- Dorime: Child of Light
- Dreadnaught: Alien Isolation
- Rosa: Dark Souls II
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Qual foi o Jogo do Ano de 2014 para você?


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