Questionando GOTYs: The Walking Dead (2012)
No aniversário de 10 anos do Video Game Awards, a história foi feita e provou que um indie também pode ser o Jogo do Ano. Mas mereceu?

O ano era 2012, e a indústria vinha de um momento bastante brilhante após o auge seguido de 2010 e 2011, que viu obras como God of War 3, Halo: Reach, Red Dead Redemption, Mass Effect 2, Batman: Arkham City, Portal 2 e The Elder Scrolls V: Skyrim alcançarem o ápice do mercado e disputarem o ápice supremo da indústria: o prêmio de Jogo do Ano (Game of the Year).
A premiação já acontecia em Dezembro e era conduzida por Geoff Keighley na produção e roteiro, mas levava o nome de Video Game Awards (VGA) sob a direção da SpikeTV, e era o palco não só de prêmios, mas dos anúncios de jogos.
E eis que em 2012 houve algo... inédito.
Até aquele momento, todos os vencedores de Jogo do Ano do VGA eram apenas grandes superproduções de grandes estúdios e editoras, e o mercado estava passando um por uma nova transformação com um gênero em crescente interesse e busca dos jogadores: jogos de zumbi.
Tinhamos acabado de experienciar Dead Island no quesito sobrevivência e gerenciamento de recursos, Dead Rising no espaço mais cômico e aventuresco, e anteriormente visto Left 4 Dead dominar no multiplayer. Mas e um jogo totalmente focado em enredo baseado nos apocalipse zumbis, totalmente realistas e mais sérios? Isso era algo que ainda não havia sido tão explorado.
Com a série de TV em alta, a Telltale teve nas mãos a difícil tarefa de criar um jogo à altura das primeiras três temporadas. Se mantendo fiel ao mundo e as regras que habituam a série de quadrinhos, surge The Walking Dead: A Telltale Series, que não só atingiu aclamação universal pela crítica e jogadores, mas chocou o mundo e a própria Telltale com seu sucesso avassalador.
O jogo seguiu a estrutura episódica que futuramente marcaria todo um mercado de jogos narrativos, e foi um avanço técnico por seu polimento e direção de arte bastante fiéis a uma leitura de HQ, trazendo tons pálidos e não se poupando ser cruel ou dramático.
Eis que então, em 25 de novembro de 2012 é anunciado todos os jogos indicados ao Game of the Year daquele ano, que só iriam ser revelados em 7 de dezembro na premiação ao vivo — The Walking Dead da Telltale teve 6 indicações.
A princípio, não parecia favorito, com o jogo mais indicado a prêmios, Halo 4 (8 indicações) sequer concorrendo ao GOTY, e demais candidatos ao título, Mass Effect 3, Assassin's Creed III, Dishonored e Journey, tendo cada um seu pequeno nicho de torcedores ávidos, mas demonstrando claramente que naquele ano não teríamos um jogo que "varreria os prêmios".
A Telltale saiu daquela noite como estúdio mais premiado, sendo 5 no total, dos quais incluiram o maior da noite, o GOTY. Melhor Direção, Melhor Narrativa, Melhor Performance Feminina e Melhor Jogo Adaptado acompanham o troféu mais desejado.
Entre polêmicas de bastidores e o que tudo isso iria acarretar, aquela noite marcou um evento histórico e memorável: pela primeira vez, um estúdio indie derrubou o mercado AAA.
Diante de várias circunstâncias, ao longo dos anos muito debate ocorreu devido a escolha do jogo para definir o ano de 2012. Far Cry 3, um dos mais brilhantes jogos daquele ano e um destaque, acabou ficando de fora após seu adiamento o ter arrastado para um data de lançamento que fugiu do corte para o VGA.
Do outro lado, Mass Effect 3 sofreu polêmicas devido ao final do jogo, e mesmo sendo a maior nota do ano (94/100) não foi o suficiente para levar o caneco dourado.
Halo 4, o jogo com maior número de indicações e possivelmente o último grande destaque do Xbox 360, sofreu polêmicas envolvendo um comercial de Doritos por Geoff Keighley que levantou debates de "imparcialidade" e muitos acreditam que isso tenha descontado sua indicação ao Jogo do Ano.
Já para Dishonored e Journey, ambos os jogos foram extremamente bem recebidos e considerados muito originais e autênticos em suas propostas, mas o apelo menor em popularidade e vendas acabaram fazendo ambos atrair menos votos do que por exemplo, Assassin's Creed III, outro jogo que estava concorrendo.
Não estamos aqui para julgar as qualidade de The Walking Dead. O jogo brilha onde é proposto — narrativa envolvente, personagens frágeis e humanos, ambientação fiel e uma trilha sonora que marcou a sétima geração. Os feitos que a Telltale atingiu com o jogo são até os dias de hoje, quase 15 anos depois, o ápice do gênero narrativo interativo de escolhas, e proporcionou para muita gente uma nova leva de gamers, especialmente no Brasil.
O título acumulou quase 25 milhões de unidades vendidas, sendo o maior sucesso comercial daquele ano, e deu início a uma sequência de sucessos que a Telltale somaria em seu histórico, com o segundo The Walking Dead, The Wolf Among Us, Tales from the Borderlands e a duologia Batman. Mas não estamos aqui para falar disso, e sim levantar o debate entre vocês. Olhando para os dias de hoje, o mercado da época, e todos os jogos lançados em 2012 — The Walking Dead mereceu?
Para nossa equipe do PXN, as opiniões diante da escolha de Jogo do Ano em 2012 também foram bastante divididas:
- ZeroJimmy: Max Payne 3
- Fuyushiro: Mass Effect 3
- Billy Butcher: Mass Effect 3
- SoldierOfJah: Max Payne 3
- Nascimento: Xenoblade Chronicles
- Rush Skywalker: Dishonored
- Rosa: Persona 2: Eternal Punishment (PSP remake)
- Al1enado: Halo 4
- Tuiko: Dishonored
- El Asesino: The Walking Dead
- Renato Silva: Max Payne 3
- Dreadnaught: Dishonored
E há, na dúvida de ainda não saber o que escrever a respeito do assunto, que tal reassistir a orquestra do VGA 2012 para o Game of the Year, que tocou trechos de cada uma das trilhas sonoras dos jogos indicados ao grande prêmio da noite? Talvez seja que você precisa ouvir antes de partir pros comentários abaixo!



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