Funcionários da EA relatam temer demissão e que a empresa venda suas franquias e estúdios
Segundo relatório, desde a aquisição pela Arabia Saudita, o clima da EA é de "um lugar frio, silencioso e a beira da morte".

Após notícias recentes relacionadas a algumas das principais editoras ocidentais entrando em ruína financeira, a Electronic Arts (EA) parece estar se encaminhando para um destino parecido.
No relatório publicado pelo Vertical Slice onde é destacado os problemas que a BioWare passou até o eventual encerramento do estúdio, funcionários da EA em anonimato relatam que a empresa está a beira de um colapso financeiro — e provavelmente não sairá disso bem.
Mais recentemente, além do interromper o desenvolvimento do próximo Mass Effect, a EA anunciou uma reestruturação massiva onde suas franquias de esporte se tornaram destaque, e jogos originais perdem espaço; nesse sentido, 400 funcionários foram demitidos, onde o estúdio Full Circle de Skate sofreu perdas em quase metade do estúdio, e um dos projetos da franquia The Sims em desenvolvimento pela Maxis foi cancelado. Além disso, a DICE e a Respawn colaboram em Star Wars: Battlefront 3, enquanto a Motive continua focada em Marvel's Iron-Man. Para suas franquias de esporte, a EA dará foco total no EAFC e Madden, além de ter anunciado a volta da franquia Fight Night.
Segundo os funcionários envolvidos na EA atualmente e que reportaram ao Vertical Slice, a editora vem demitindo centenas de funcionários em anonimato via LinkedIn, com uma das trabalhadoras da EA informando que descobriu nas últimas 24 horas que agora está sem emprego. Vários funcionários e ex-funcionários revelaram uma cultura de sigilo em torno das demissões e uma falta de clareza sobre quem, exatamente, será afetado e como suas equipes devem seguir em frente sem eles.
"Suspeito que isso seja feito para isolar as pessoas demitidas", disse uma fonte. "Dependendo da dimensão da demissão, pode levar uma ou duas semanas, ou até meses, para nos reorganizarmos e descobrirmos o que fazer."
Isso também afeta o próprio trabalho, já que os projetos em andamento passam a ser responsabilidade dos poucos membros restantes da equipe. Mas uma fonte revelou que a EA pode levar semanas para comunicar esses detalhes à equipe e traçar um plano de ação.
A abordagem da EA para comunicar aos funcionários afetados suas demissões deve soar familiar para qualquer pessoa familiarizada com o mundo corporativo moderno. Segundo diversas fontes, os funcionários são convidados para uma chamada de vídeo no Zoom com o chat desativado e os demais participantes ocultos. Em seguida, são informados de sua demissão, sem terem a oportunidade de fazer perguntas ou se despedir dos colegas.
"Você está sendo demitido porque é apenas um número em uma lista", disse uma fonte. "Nunca há uma compreensão do projeto real [em que você está trabalhando]."
Fontes também afirmaram que a EA está priorizando o lucro em detrimento do bem-estar de seus funcionários, agora mais do que nunca. Como resultado da aquisição da EA por um consórcio de investidores — principalmente o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita — por U$ 55 bilhões, a empresa está com uma dívida de US$ 20 bilhões que precisa quitar.
"O moral estava péssimo", disse outra fonte. "O que mais ouvíamos era 'faça rápido e bem feito', mas a sensação era de que estávamos fazendo a mesma coisa com menos gente. A alta administração estava muito entusiasmada com Claude e as possibilidades da IA [generativa], para grande desgosto da minha equipe."
Para a maior editora de jogos do mundo ocidental, tudo isso é lamentável. Mas para muitos dentro da EA, o declínio já vinha se instalando há algum tempo.
"O fato de o e-mail recente sobre as mudanças na organização parecer ter sido escrito por um robô resume perfeitamente a EA", disse uma fonte. "Um lugar frio e sem vida que está se deteriorando lentamente enquanto a liderança desvia cada centavo, deixando o resto de nós preocupados em como alimentar nossas famílias."
Tambem não está descartado opções da EA ser repartida em dezenas empresas menores. Recentemente relatórios apontam que a franquia Mass Effect pode ser vendida após o encerramento da BioWare, e outros relatos pelo Vertical Slice apontam que o mesmo pode acontecer com Dragon Age, Titanfall, e até mesmo Battlefield. Com uma dívida de U$ 20 bilhões a ser quitada em menos de dois anos, parece incerto qual o futuro da EA a partir de agora, com a empresa estando em um ponto abrupto semelhante ao que a THQ passou em 2013, quando entrou com pedido de falência.
Fonte: https://www.eurogamer.net/inside-ea-layoffs-report-bioware-morale-secrecy


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