Don't Nod, de Life is Strange e Vampyr, está a beira da falência
"Nossa empresa já está encurralada há anos em extrema vulnerabilidade", é dito em novo comunicado.

Durante a década 2010, houve uma ascensão na indústria de videogames por estúdios com foco em jogos narrativos e interativos, que outrora foram o ápice do sucesso na forma de point-and-click nos anos 90, e que ganharam nova margem com o estilo cinematográfico.
Entre os estúdios de maior sucesso nesse período, tivemos 4 em especial que ganharam destaque — Telltale (The Walking Dead, The Wolf Among Us, Batman), Quantic Dream (Heavy Rain, Beyond: Two Souls, Detroit: Become Human), Supermassive (Until Dawn, The Quarry, Dark Pictures Anthology), e a Don't Nod, que chegou um pouco depois na cena com o Life is Strange.
O sucesso do jogo que acompanha a história de Max e Chloe protagonizou o início de uma enorme franquia, que proliferou também na expansão de mercado da Don't Nod, que também se aprofundou no gênero RPG com Vampyr e Banishers: Ghosts of New Eden.
As coisas não deram tão certo nos últimos tempos, apesar de tudo.
De acordo com um artigo publicado pelo Eurogamer e divulgado anteriormente pelo Rock, Paper, Shotgun através de uma notícia no jornal francês Le Syndicat, a Don't Nod se encontra a beira da falência.
O relatório revela que a Don't Nod entrou com pedido de recuperação judicial — uma espécie de último recurso para evitar a falência. O texto também informa que, apesar das demissões, a Don't Nod pretende concluir o desenvolvimento do jogo de codinome P14, embora dependa mais de desenvolvimento terceirizado do que de sua equipe interna reduzida.
O relatório, que alega ter conhecimento de um memorando enviado pelo CEO da Don't Nod, Oskar Guilbert, e das atividades do sindicato dos funcionários da Don't Nod — o CSE — questiona se a empresa conseguirá terminar o jogo.
Aparentemente, todos os artistas de personagens, artistas conceituais, a maioria dos artistas de ambiente, a maioria dos designers de som, designers de jogos, designers de níveis, programadores, produtores, testadores e profissionais de desenvolvimento foram demitidos.
"Para compensar esse massacre e manter a produção de um jogo que, até hoje, não teve seu escopo reduzido e mantém cerca de cem pessoas ocupadas, a gerência está apostando tudo na terceirização", diz o relatório.
"Os gerentes, que geralmente são vistos como mais competentes e experientes do que os demais funcionários, são mantidos na organização, e a direção do estúdio espera que eles coordenem a mudança massiva para a terceirização, além de assumirem a carga de trabalho dos membros da equipe demitidos. Qualquer pessoa com um mínimo de experiência em produção de videogames e bom senso entende o quão desconectado da realidade é esse plano."
O relatório também afirma que a administração da Don't Nod não tem condições de oferecer aos funcionários afetados pacotes de indenização ou planos de demissão voluntária. "Será o mínimo legal estrito e você ficará feliz por isso", diz o relatório. Segundo relatos, também não está sendo oferecido um programa de demissão voluntária.
"Esta empresa foi encurralada durante anos, contrariando toda a sabedoria externa e qualquer avaliação baseada na realidade", prosseguia o relatório. "Durante dois anos, os funcionários viveram no limite, em meio à incerteza e à ansiedade, tudo isso reforçado por comunicações internas que oscilavam entre a inexistência e mentiras descaradas. Isso afetou a saúde deles, como evidenciado pelo CSE, que documentou seis acidentes de trabalho em 2026 e recentemente teve que abrir um inquérito sobre um perigo grave e iminente."
A notícia de que a Don't Nod está à beira da insolvência surge um mês depois de o conselho de administração da empresa ter votado a favor de um período de reestruturação — de transformação — que poderá levar à demissão de até 90 pessoas. Isso, por sua vez, aconteceu apenas alguns meses depois de a Don't Nod ter afirmado estar perto de ficar sem dinheiro.
Atualmente o estúdio francês emprega 140 funcionários, em comparação ao seu pico durante 2021 quando a Don't Nod chegou a empregar quase 400 trabalhadores entre seus estúdios na França e Canadá.


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