Review - Crimson Desert

Depois de uma década de sucesso com seu MMO Black Desert, a Pearl Abyss deu um passo arriscado em direção ao mundo dos jogos single-player ao lançar o tão aguardado Crimson Desert. Mas será que a aposta deu certo e conseguiu agradar a todos?

Review - Crimson Desert

Anunciado oficialmente durante o evento sul-coreano G-Star 2019 como Project CD, a ideia inicial era que o novo jogo fosse uma sequência direta de Black Desert, o MMORPG que se tornou um grande sucesso financeiro da Pearl Abyss. A proposta era expandir o universo já conhecido pelos jogadores.

Porém, tudo mudou durante o The Game Awards 2020, quando um novo trailer deixou o público de queixo caído. Gráficos fotorrealistas, uma ambientação densa e obscura que lembrava um jogo de terror, ação frenética e diversas outras novidades roubaram a atenção de todos. Foi nessa ocasião que também conhecemos seu nome oficial: Crimson Desert.

A partir dali, o jogo já não era mais apresentado como um MMO, mas sim como uma experiência totalmente single-player. Uma mudança que deixou a comunidade bastante empolgada com o enorme potencial do projeto.

Após o anúncio, o jogo entrou em um longo hiato de três anos sem apresentar nenhuma novidade. Até que, durante a Gamescom 2023, tivemos um novo trailer focado em ação frenética do começo ao fim. A empolgação, que havia esfriado ao longo dos anos, começou a ressurgir e o público voltou a ficar ansioso por novidades.

Mas os anos passaram e, mesmo com a divulgação de novos trailers e materiais, nenhuma data de lançamento era anunciada. Com isso, parte do público começou a questionar se Crimson Desert não seria mais um daqueles jogos considerados scam, ou seja, projetos que levantam suspeitas sobre sua existência ou capacidade de serem lançados, principalmente pela falta de uma data concreta.

Apesar das dúvidas, a Pearl Abyss sempre reforçava que os jogadores deveriam aguardar por novidades. Até que, durante o State of Play de 2025, a data de lançamento foi finalmente anunciada: março de 2026.

A expectativa voltou com força total e todos comemoravam a chegada de um jogo que havia sido apresentado sete anos antes. Mas, depois de tanta espera, fica a pergunta: será que realmente valeu a pena?


Às vezes cozinhar um bolo por muito tempo pode queimar ele

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Finalmente o jogo foi lançado, várias empresas fizeram seus Reviews, e o jogo foi bem morno nas análises mundo afora. Mas o que aconteceu?

O maior problema de Crimson Desert foi a gigantesca quantidade de mecânicas, sistemas, interfaces e tudo mais que você puder imaginar reunidos em um único lançamento.

Imagine, por exemplo, pegar um pouco de Zelda, misturar com God of War (opa! Sabia que tem uma review minha do terceiro jogo? Dá um bizu lá depois clicando aqui!), Devil May Cry, NieR, GTA, Red Dead Redemption... e jogar tudo em um único game. Agora, imagine que esse projeto foi desenvolvido por uma empresa que construiu sua experiência principalmente com jogos MMO e que, dessa vez, estava tentando se adaptar ao mercado de jogos single-player. O resultado? Uma equipe que ainda estava aprendendo a lidar com esse formato acabou tropeçando em diversos aspectos, criando elementos que alguns jogadores amaram e outros odiaram.

Um bom exemplo disso está nos próprios comandos de gameplay. Eles são extremamente confusos e difíceis de dominar quando comparados aos padrões que já conhecemos no mercado atual. É tanta coisa misturada que se adaptar aos controles pode levar um bom tempo (e até algumas massagens nos dedos).

Mas os problemas não se limitam à jogabilidade. A interface também é extremamente poluída, difícil de utilizar e entender. Para completar, temos um sistema de inventário limitado e bastante anti-intuitivo, que acaba tornando tarefas simples mais complicadas do que deveriam ser.

O enredo também não escapou desses problemas. Boa parte da história é apresentada de maneira superficial e pouco envolvente, sem muita emoção ou elementos capazes de prender a atenção do jogador. Mas falaremos mais sobre isso daqui a pouco.

No fim das contas, a sensação era de que Crimson Desert tentava ser vários jogos diferentes ao mesmo tempo, reunindo ideias e mecânicas sem necessariamente encontrar uma identidade própria.

E, após o lançamento, alguns supostos vazamentos envolvendo os bastidores da Pearl Abyss trouxeram ainda mais questionamentos sobre o desenvolvimento do projeto. Segundo esses relatos, havia uma grande desorganização dentro dos estúdios, marcada por desavenças entre os diretores de arte, de jogo e até mesmo o diretor-geral. Em meio aos conflitos, o diretor principal teria deixado a empresa, enquanto o diretor-geral assumiu o controle completo do projeto.

Ainda segundo essas informações, a cultura corporativa sul-coreana, na qual funcionários poderiam ter receio de contrariar seus superiores, teria contribuído para o problema. Com isso, o diretor-geral apresentava ideias inspiradas em outros jogos e, ao conversar com os funcionários, acabava recebendo poucas objeções. Muitas dessas sugestões eram então implementadas no projeto, mesmo sem uma conexão clara com a proposta original ou com o próprio enredo.

Um dos exemplos mais comentados seriam as ilhas flutuantes no céu, que supostamente teriam sido inspiradas em The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom, lançado em 2023.

Dessa forma, a constante adição de novas ideias, sem uma direção criativa bem definida e sem questionamentos internos, teria contribuído para transformar o desenvolvimento em uma verdadeira bagunça.

Vale ressaltar, porém, que tudo isso não passa de rumores e relatos não confirmados. A Pearl Abyss nunca se pronunciou oficialmente sobre essas supostas desavenças internas ou sobre os acontecimentos envolvendo o desenvolvimento do jogo.


Não era momento de abaixar a cabeça, e sim de correr atrás

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Em vez de simplesmente pedir desculpas e reconhecer seus erros, era hora de colocar a mão na massa e buscar a verdadeira receita para o sucesso!

Após suas ações caírem mais de 40% em meio à recepção morna de Crimson Desert, a Pearl Abyss se viu diante de um público bastante dividido. As principais críticas envolviam o enredo pouco envolvente, a complexidade dos controles, o excesso de botões, tutoriais e mecânicas que tornavam a experiência cansativa. Mas a empresa não cruzou os braços. Em vez de ignorar as reclamações, veio a público pedir desculpas e reconhecer suas falhas. Desde as acusações envolvendo o uso de artes geradas por IA em quadros dentro do jogo até os problemas de narrativa, design e controles frustrantes, a desenvolvedora reuniu sua equipe responsável pelo suporte pós-lançamento e começou a trabalhar intensamente para mudar esse cenário.

O primeiro passo foi corrigir bugs graves que impediam o avanço da história. Isso era fundamental, já que muitos jogadores enfrentavam problemas durante missões e na progressão da campanha. A prioridade era resolver o que realmente comprometia a experiência, deixando claro que a Pearl Abyss não pretendia abandonar o jogo à própria sorte.

E não demorou muito para vermos os resultados. Em poucos dias após o lançamento (sim, você não leu errado!), começou uma verdadeira enxurrada de atualizações. Algumas delas chegavam a ocupar vários gigabytes, trazendo melhorias de desempenho, ajustes na jogabilidade, correções de bugs e mudanças na interface.

Mas não foram apenas correções que chegaram ao jogo. Um dos recursos mais pedidos pela comunidade desde o lançamento era um sistema completo de remapeamento dos botões, permitindo que cada jogador personalizasse os comandos de acordo com sua preferência. A funcionalidade foi adicionada gratuitamente em poucas semanas. Além disso, a interface dos menus e do inventário passou por uma reformulação, recebendo melhorias constantes com base no feedback da comunidade.

Aos poucos, a qualidade de vida dos jogadores foi sendo aprimorada. Afinal, a proposta não era transformar Crimson Desert em um simulador cheio de complicações, mas sim oferecer um jogo de fantasia medieval que pudesse ser aproveitado de maneira divertida e natural.

Em menos de um mês, muitos dos problemas iniciais já haviam recebido correções importantes. Mas as novidades não pararam por aí!

Junto das atualizações, a Pearl Abyss começou a disponibilizar uma série de conteúdos gratuitos, incluindo novas mecânicas, melhorias e elementos que expandiam ainda mais o mundo do jogo. Foram adicionadas diversas espécies de animais, tanto comuns quanto exóticas, além de novos inimigos, armas e armaduras.

O sistema de mascotes, que já existia no jogo base, também recebeu melhorias. Agora era possível ter mais de um companheiro ao mesmo tempo, inclusive de espécies diferentes. Outra novidade foi a possibilidade de utilizar equipamentos nos pets, além da chegada de uma belíssima Fênix, que pode acompanhar o jogador durante suas aventuras pelos céus.

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A Fênix é um de seus milhares de pets possiveis dentro de Crimson Desert

E não parou por aí: um incrível falcão mecânico também foi disponibilizado gratuitamente. Até mesmo a experiência de cavalgar, voar e planar recebeu melhorias e novidades. A cada atualização, parecia que havia algo novo para descobrir!

… Até que em agosto, foi lançada a versão 2.0, conhecida como Enhanced!

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E ai que dividiu mais ainda ainda mais os jogadores!

O lançamento surpresa da versão 2.0, no final de agosto, foi bombástico! O principal objetivo dessa atualização foi corrigir diversos problemas relacionados à lore, às CGs, aos diálogos e, principalmente, à motivação do protagonista dentro da história.

Além da grande reformulação narrativa, tivemos outra novidade de peso: a chegada da dublagem oficial em português do Brasil!

Kliff agora ganhou a voz de Marco Antônio Abreu, bastante conhecido no mundo geek por interpretar personagens como Capitão Price (Call of Duty: Modern Warfare), Albert Wesker (Resident Evil 4 Remake) e Boozer (Days Gone). Fora dos games, também empresta sua voz a personagens icônicos como Patrick Estrela (Bob Esponja), Byakuya (Bleach) e Ginyu (Dragon Ball Z).

Mas não foi só Kliff que recebeu uma voz de peso. Oongka ganhou a interpretação de Guilherme Lopes, conhecido por ser a voz brasileira de Samuel L. Jackson, além de diversos personagens de animações. Já Damiane ficou sob responsabilidade de Patt Souza, que também deu voz a personagens como Jolyne (JoJo's Bizarre Adventure), Mitsuri Kanroji (Demon Slayer) e Mina Ashido (My Hero Academia).

Devo dizer que o trabalho de dublagem foi uma das maiores surpresas para mim. Mesmo sendo alguém que geralmente prefere assistir e jogar com vozes em inglês ou no idioma original, a qualidade entregue em Crimson Desert não deixou nada a desejar. As interpretações conseguiram transmitir personalidade e emoção para cada personagem.

É claro que, em um jogo dessa magnitude, alguns problemas de sincronia e pequenos erros acabam sendo inevitáveis. Ainda assim, o resultado final foi de arrepiar! Poder explorar esse mundo ouvindo os personagens falarem em português, com diálogos tão bem interpretados, é simplesmente magnífico.

É um trabalho que coloco lado a lado com o de Overwatch, da Blizzard, que também considero uma das grandes referências em dublagem nos games.

Voltando à narrativa, a atualização trouxe uma quantidade considerável de novos diálogos e textos para esclarecer pontos que antes pareciam não fazer muito sentido dentro do universo do jogo. Questões como a origem e o propósito das ilhas flutuantes, a verdadeira identidade dos vilões e os acontecimentos que estavam afetando o mundo de Pywel finalmente receberam explicações mais elaboradas.


Um mundo vasto, rico em beleza, cheio de vida e desafios de quebra-cabeças insanos

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Alguns desafios só podem ser concluídos utilizando habilidades específicas da sua árvore de habilidades, em determinados horários ou sob certas condições

Ao iniciar sua jornada por Pywel, você acompanha Kliff Macduff, protagonista de Crimson Desert, descendo uma pequena ladeira de terra em direção ao acampamento dos Jubas Cinzentas. O grupo está se recuperando e prestando suas últimas homenagens aos companheiros que morreram em uma batalha recente contra seus grandes inimigos: os Ursos Negros. É nesse momento que conhecemos outro personagem que poderá ser controlado mais adiante na aventura: Oongka.

Após algumas conversas com outros NPCs e pequenas cenas, o acampamento é novamente atacado pelos Ursos Negros. Depois de um breve tutorial de combate e algumas sequências, encontramos Myurdin, o líder dos Ursos Negros. Após mais uma batalha introdutória, Kliff acaba sendo gravemente ferido por uma espada. Ao tentar escapar, ele se arrasta até perder as forças e acaba caindo em um córrego próximo ao campo de batalha. Todos passam a acreditar que Kliff está morto...

...Até que ele é revivido pelo Poder do Abismo, uma força divina e misteriosa, capaz de realizar feitos inimagináveis. Seu verdadeiro potencial é desconhecido pelos humanos, pois um poder dessa magnitude, nas mãos erradas, poderia levar à corrupção e até mesmo à destruição de Pywel.

Depois de mais um breve tutorial, dessa vez sobre movimentação nas ilhas do céu, Kliff finalmente desperta na primeira cidade do jogo: Hernand. É aqui que começa nossa jornada pelo gigantesco mundo de Crimson Desert.

Logo de cara, somos apresentados a mais tutoriais, ensinando como conversar e interagir com os moradores, além de comandos aparentemente simples, como a função de apontar e identificar objetos e ações. E acredite, essa última é extremamente importante no jogo (sério!). Crimson Desert possui tantas mecânicas que, mesmo depois de mais de 200 horas de gameplay, ainda não desbloqueei tudo o que o jogo tem a oferecer.

A partir daqui, seus objetivos se dividem em três grandes desafios: reunir novamente os integrantes dos Jubas Cinzentas, aprender a sobreviver nesse novo mundo enquanto descobre mais sobre os poderes do Abismo e como utilizá-los a seu favor, e, por fim, buscar sua vingança contra Myurdin, o líder dos Ursos Negros.

Mas, a partir desse momento, boa parte das escolhas está nas suas mãos. Você pode seguir a história principal, explorar florestas, desertos e rios, reconstruir sua base e trabalhar para melhorá-la cada vez mais. As possibilidades de gameplay são enormes e estão espalhadas por praticamente todo o mapa.

Onde quer que você vá, encontrará algum desafio ou mistério esperando para ser descoberto. Um bom exemplo são os puzzles envolvendo artefatos que caíram do céu. Muitas vezes, você não recebe nenhuma indicação clara de como resolvê-los e acaba quebrando a cabeça durante horas para encontrar uma solução. Até perceber que já passou mais de três horas tentando resolver o mesmo enigma e que talvez seja melhor procurar uma ajudinha no YouTube!

Outro ponto que merece destaque é a fauna. Ela é extremamente bem construída e transmite uma sensação de vida impressionante. Existem animais correndo pelos campos, predadores caçando suas presas e diferentes espécies seguindo seus próprios ciclos naturais. Nas vilas, encontramos moradores pescando às margens dos rios e ensinando seus filhos a fazer o mesmo para garantir seu sustento. Também existem carpinteiros trabalhando e ensinando técnicas para produzir diferentes peças de madeira.

O mundo parece funcionar independentemente da presença do jogador. Essa riqueza de detalhes faz com que Pywel seja muito mais do que um simples cenário de aventura. Aqui, deixo meus parabéns à Pearl Abyss pelo trabalho realizado.

A imersão também é um dos pontos mais fortes da experiência, principalmente quando você começa a se colocar no lugar de Kliff e compreender o peso de sua jornada dentro da narrativa. Sinto isso de maneira muito clara sempre que inicio o jogo e assisto à cena em que Kliff brinca com um cubo do Abismo, olha quase diretamente em direção à câmera e, em seguida, começa a caminhar com passos pesados e cansados por uma trilha, até finalmente sermos conduzidos ao mundo de Pywel. É uma introdução simples, mas que transmite muito bem a atmosfera da aventura.

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Um poder incompreensível, mas que pode salvar o mundo. Essa cena me dá uma sensasão de está fazendo tudo sozinho, que me deixa mais motivado em minha jornada

Uma das mecânicas mais interessantes do jogo é o sistema de conhecimento. E quando digo conhecimento, é praticamente tudo mesmo! Documentos, cartas, cartazes, livros, itens, animais, pessoas e diversas outras coisas possuem informações próprias que podem ser descobertas e registradas pelo personagem. Esse conhecimento é utilizado para desbloquear possibilidades de criação, como armas, armaduras, artefatos e até construções.

Muitas dessas mecânicas são aprendidas naturalmente durante a exploração, mas o sistema de conhecimento, em particular, é um dos mais importantes para compreender como o jogo funciona e como Kliff pode evoluir dentro do universo de Crimson Desert. E, sinceramente, acho isso sensacional!

Existem momentos em que simplesmente paro para ler um livro encontrado em alguma prateleira, descobrir informações sobre um NPC ou até mesmo conhecer melhor o ecossistema animal de determinada região. É uma dinâmica que recompensa a curiosidade e faz com que você preste atenção em coisas que normalmente passariam despercebidas. Depois da atualização 2.0, esse sistema também ficou muito mais fácil de compreender e utilizar.

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Alguns chefes oferecem batalhas tão desafiadoras que nem sempre uma boa espada será suficiente para garantir a vitória.

Inclusive, ficar um tempo sem jogar e depois retornar pode trazer algumas dificuldades para lembrar de todos os comandos. Mas, como um dos desenvolvedores comentou na época do lançamento, é como andar de bicicleta: depois que você aprende, não esquece mais!

O mundo é tão gigantesco que, em diversas ocasiões, acabei perdendo completamente o foco da missão principal. Bastava encontrar alguma coisa interessante pelo caminho para deixar a história de lado e partir em uma nova exploração. Uma torre desconhecida com puzzles ainda mais complicados? Uma construção abandonada? Uma cachoeira misteriosa que talvez esconda alguma caverna? São situações que despertam constantemente minha curiosidade.

E isso é muito bom! Meu instinto de exploração fica sempre aguçado, com aquela sensação de querer descobrir o que existe em cada canto do mapa.

Cada bioma possui sua própria identidade. Temos desde florestas densas e fechadas até córregos, rios e vales gigantescos. Existem regiões cobertas de neve, onde ela chega à altura da cintura, áreas vulcânicas, pântanos e desertos escaldantes. Cada ambiente possui sua própria flora, fauna e até comunidades com características diferentes.

Enquanto a história principal continua esperando por você em Hernand, é muito fácil acabar quilômetros distante dali, explorando uma nova caverna ou tentando encontrar e domar alguma espécie de animal desconhecida. E essa é justamente uma das maiores qualidades de Crimson Desert: a liberdade de simplesmente se perder em seu mundo e descobrir o que ele tem a oferecer.


Uma orquestra para se aplaudir de pé

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Aposto que depois de algumas horas jogando, certas músicas vão estar no seu app de streaming musical

A cena de Kliff caminhando pelo Abismo, que aparece durante o carregamento do jogo, merece um destaque especial. Ela é acompanhada por uma música simples chamada Lone Wolf, que começa com um coral cantando em harmonia, transmitindo a união de seu povo. Aos poucos, porém, essa união parece desaparecer, até que resta apenas um violino solitário, cuja melodia continua ecoando enquanto Kliff caminha em direção ao infinito.

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Adimito que esse loading acaba comigo toda vez que abro o jogo...

É incrível como a Pearl Abyss conseguiu transformar o tema principal de Kliff em algo tão pesado, tanto em termos narrativos quanto sonoros. Tudo se conecta de uma maneira absurda e, ao mesmo tempo, extremamente bela. A delicadeza presente na composição musical de Crimson Desert está em um nível que me faz lembrar obras como Final Fantasy, God of War, The Legend of Zelda e tantos outros grandes nomes da indústria dos games.

E não é apenas o tema de Kliff que merece reconhecimento. As músicas das cidades, a composição que acompanha os Jubas Cinzentas em seu acampamento e até mesmo os temas das batalhas contra chefes são deliciosos de ouvir. Existe um cuidado muito grande na maneira como cada composição foi pensada e adaptada para seu respectivo ambiente.

Leve spoiler: próximo ao final do jogo, a música Lone Wolf ganha uma nova versão, muito mais impactante para mim do que a original. A maneira como essa composição retorna e se conecta à narrativa foi simplesmente incrível. Confesso que fiquei sem palavras!

Mas a qualidade sonora não se limita às músicas. A própria ambientação de Crimson Desert é construída com uma riqueza impressionante de detalhes. Pássaros, animais, pessoas nas cidades, moradores nas cabanas e soldados nas fortalezas: tudo possui seus próprios sons e transmite uma sensação constante de vida. Até mesmo o vento passando suavemente pelas folhas das árvores contribui para essa experiência.

São esses pequenos detalhes que fazem um mundo deixar de ser apenas uma imagem bonita na tela e realmente ganhar vida. E aqui preciso tirar o chapéu para a Pearl Abyss, porque o cuidado com esses elementos é impressionante.

Até mesmo os sons dos equipamentos foram trabalhados com bastante atenção. Ao caminhar, sua armadura produz ruídos conforme as correntes e placas de metal se movimentam. Já roupas feitas de couro apresentam sons muito mais discretos. Uma bota de ferro produz passos pesados e metálicos, enquanto calçados de couro possuem uma sonoridade muito mais suave.

E o mais interessante é que tudo isso não serve apenas para criar uma ambientação bonita: esses detalhes também interferem diretamente na gameplay! Dependendo do equipamento utilizado, os inimigos podem perceber sua presença com mais facilidade. Armaduras pesadas, com muito metal e brilho, podem denunciar sua posição a distâncias maiores, enquanto equipamentos mais leves e silenciosos permitem uma abordagem mais discreta.

É um daqueles exemplos em que a qualidade sonora deixa de ser apenas um detalhe estético e passa a fazer parte das próprias mecânicas do jogo.


Então valeu a pena essa espera toda?

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Até que ponto um jogo de fato é bom ou ruim por causa de tantas coisas?

Somando todos esses pontos, fica claro que a Pearl Abyss realmente queria criar um grande sopão de referências, misturando elementos de alguns dos jogos mais famosos da indústria com experiências mais narrativas e imersivas. Talvez essa mistura toda não tenha funcionado como esperado, mas a intenção parecia ser criar algo grandioso, praticamente um jogo perfeito. Só que, até Jesus não conseguiu agradar a todos, não é mesmo?

O problema é que controles complicados, uma quantidade gigantesca de mecânicas para aprender e tantas atividades disponíveis acabaram afastando parte dos jogadores. Além disso, aquilo que os primeiros trailers prometiam acabou sendo bastante diferente do produto que finalmente chegou às nossas mãos.

Os gráficos impressionantes e a enorme variedade de possibilidades dividiram a comunidade. Alguns jogadores tiveram a impressão de que o jogo havia sido lançado incompleto, principalmente pela quantidade de atualizações necessárias para corrigir e aprimorar tantos aspectos. Outros sentiram que a experiência era completamente diferente daquilo que esperavam. Já uma parcela do público simplesmente se apaixonou pelo mundo aberto e por tudo o que ele tinha a oferecer.

No final das contas, o que realmente importa é a experiência que cada pessoa teve ao jogar. E essa experiência é única, algo que precisa ser respeitado. Não podemos forçar alguém a gostar ou jogar determinado título se não existe sequer uma curiosidade ou vontade de conhecer aquele universo. É justamente essa curiosidade que pode fazer alguém mergulhar ainda mais fundo em Pywel ou, simplesmente, se afastar dele para sempre.

Uma Nota particular...

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Existem milhares de raças, tipos e cores de animais e pets em todo o jogo

Agora, eu, Juni, autor desta review, preciso deixar uma coisa muito clara: gosto tanto de videogames porque os vejo como uma espécie de livro que ganha vida por meio de imagens, sons e interatividade. Todo jogo tem uma história para contar, e gosto principalmente daqueles que me permitem mergulhar completamente em seus universos.

Às vezes, passo horas simplesmente caminhando por aí, observando o mundo e descobrindo como as coisas acontecem, até esquecer que, no dia seguinte, existem boletos para pagar, roupas para lavar e todas aquelas responsabilidades da vida real. Os videogames são minha válvula de escape. É nesse mundo fictício que encontro momentos de felicidade, liberdade e a possibilidade de viver experiências que jamais teria na realidade.

Por isso, tenho um apego muito especial por jogos que oferecem esse tipo de imersão. E Crimson Desert acertou em cheio nesse aspecto para mim.

Mesmo com todos os problemas, limitações e defeitos, ainda consigo me sentir dentro de um mundo verdadeiramente livre, onde posso fazer o que quiser e seguir meu próprio caminho. Nunca havia experimentado essa sensação de liberdade de uma maneira tão espetacular quanto em Crimson Desert.

Existem outros jogos que oferecem experiências semelhantes, como No Man's Sky, GTA e tantos outros. Mas estar na pele de Kliff Macduff, caminhando por Pywel e vivendo suas aventuras, me proporcionou uma fantasia que jamais havia experimentado em toda a minha vida como jogador.


A DLC Charting the Unknown terá uma análise a parte desta review

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É quase 4x o tamanho do jogo base!

Devido à grande quantidade de novidades e conteúdos adicionados pela DLC, além do pouco tempo que tive para explorá-la, decidi preparar essa análise para publicar posteriormente, compartilhando minhas impressões e experiências. Acredito que ela merece uma atenção especial, considerando a dimensão da DLC. Por isso, peço um pouquinho de paciência até lá.


Mas a minha análise não termina aqui, agora é com vocês!

E você, querido leitor, depois dessa gigantesca análise, jogou Crimson Desert? Ele atendeu às suas expectativas? Conseguiu ver o quão grande esse jogo é? Vai esperar sair todos os updates possíveis, ou vai jogar cada novo patch? Acha que ele merece concorrer ao G.O.T.Y.? Deixe nos comentários!

Pra mim Crimson Desert é mais do que merecido concorrer ao jogo do ano!

O que mandou bem

  • Mundo rico e vivo
  • Customização gigantesca
  • Varios estilos de Buildings
  • Combate divertido e as vezes desafiador
  • Exploração excepcional

Pontos neutros

  • Lore deixa a desejar (mesmo na versão 2.0)
  • Poucas expressões faciais
  • Chefes Colossais são relativamente fáceis
  • Andar muito por ai pode cansar um pouco
  • Falta de modo Coop

O que pode melhorar

  • Muita coisa pra fazer pode cansar
  • Alguns Puzzles podem ser muito complicados
  • Controles demorados para se adaptar
  • A sensassão é de MMO, mas o jogo é um single player
8,8/10
Nota final · Muito bom · PC, Steam

Crimson Desert não é um jogo perfeito, mas é um jogo capaz de proporcionar uma experiência que poucos conseguem oferecer hoje em dia.

Jogos citados:Crimson Desert
Escrito por

@Junigami

Uma imagem pode guardar mil palavras. Uma música pode despertar milhões de sentimentos. Mas um jogo... pode tocar sua alma e contar uma história que você levará para o resto da vida. Amante de música, games e histórias gigantescas.

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