Review - God of War 3: Remastered
Considerado por muitos o melhor God of War, será que Kratos realmente brilhou no final de sua jornada pelo Olimpo?

God of War é um jogo que revolucionou a indústria dos games nos moldes do início do milênio, e depois de 2 grandes jogos, finalmente saiu o final de sua saga para PlayStation 3, onde 5 anos depois uma versão remasterizada para o glorioso PlayStation 4. Valeu a pena toda essa espera até a finalização da saga?
A minha vingança... Termina agora!
A tela de início icônico mostrando a face de Kratos está presente aqui também.
A primeira cena é literalmente o final do último jogo: Kratos está junto de Gaia e os outros titãs, rumo aos reinos de Olimpo: a casa dos deuses Gregos, onde seu pai, Zeus, aguarda para o embate final. Kratos busca sua vingança após ser traído por Zeus, que foi sucumbido pelo medo de sua morte a destruição do Olimpo pelas mãos de um homem marcado, conforme uma profecia que ele conhecia. Zeus aproveitou a oportunidade de, em vez de ajudar Kratos, roubou seus poderes e o enfraqueceu a ponto de se tornar um mortal novamente, e então matou Kratos fraco, porém a mãe Gaia salvou seu corpo e alma, no intuito de usá-lo como uma arma contra o Olimpo e assim destruir Zeus.

A batalha de tutorial mais épica de todos os tempos
Todas as lutras contra chefes são unicas, divertidas e sangrentas!
O jogo já nos coloca nas costas de Gaia, que está escalando o monte Olimpo junto com outros titãs para o embate final contra Zeus. Kratos anuncia sua chegada, e logo em seguida Zeus ordena os últimos deuses a descerem para a batalha final. Um deles, Poseidon, usa seus poderes aquáticos para invocar um gigantesco cavalo marinho com tentáculos e patas de caranguejos gigantes, e apresentar o tutorial inicial do jogo já contra um boss. Após o espetáculo de cenas e QTE (Quick Time Events, ou eventos de ação rápida durante as cenas), o jogo nos coloca frente a frente com o deus dos mares, fragilizado e fraco. Kratos finalmente tem o privilégio de sacar todo o seu ódio contra os deus, após vários socos e chutes, a câmera muda para a visão de Poseidon, olhando para Kratos que finca os dois dedões dentro de seus olhos, rasgando seu rosto em uma das cenas mais pesadas do mundo dos videogames.
Com a morte de Poseidon, começa uma tempestade em todo o mundo, incontrolável e destruidora que alaga todo o reino da Grécia, matando inocentes que viviam sua vida em paz. Kratos não veio salvar ninguém, e sim buscar sua vingança após a traição de Zeus..
Finalizado o tutorial inicial do jogo, agora somos jogados no reino de Hades, e definitivamente o jogo começa de verdade. Athena reaparece, e diz que vai lhe ajudar na sua busca por vingança e a destruição de Zeus e todo o Olimpo.
Um jogo lindo para sua época, mas curto demais para apreciar todo seu potencial
Belos gráficos e ação frenética, GOW 3 foi um marco em seu lançamento com beleza, estética e bom equilibro para o desempenho do Playstation 3, considerado um dos jogos mais bem optimizados para o console, com praticamente (quase) nenhuma tela de loading durante todo o gameplay, mantendo sempre o FPS fluido. Com o lançamento do Remaster do PS4, a taxa foi crava em 60 fps, mas as CGs ainda mantinham-se em 30 fps com uma baixa resolução
GOW 3 é definitivamente o ápice dos gráficos do PlayStation 3, onde teve como um dos últimos grandes lançamentos em seu console, o final de uma saga que revolucionou o mundo dos games, e o final mais digno que a Santa Mônica conseguiu fazer: as expressões de raiva de Kratos dão a sensação de raiva e ódio: seu destino já havia sido moldado, e agora ele só precisava ser uma máquina de destruição contra toda a Grécia, e isso o jogo entregou de uma forma que o espectador sente vendo para a televisão. As cenas de batalhas são uma dança em 3D que dá inveja a muitos estúdios de animação em 2010. Com a versão remasterizada que saiu em 2015 para o Ps4, os visuais foram melhorados, com suporte melhor a widescreen e taxa de frames cravados em gloriosos 60 fps, com nenhuma queda durante todo o gameplay. Texturas em FullHD e sangue jorrando pra todo lado, GOW 3 marcou o ápice dos jogos mais lindos da PlayStation.
Mas os gráficos lindos pesaram na narrativa do jogo: com o fim da Grécia, e Kratos tendo apenas uma única função, ir atrás de sua vingança, a narrativa ficou extremamente curta. Todas as batalhas são incríveis e cinemáticas, mas é só isso mesmo. O jogo contém uma primeira jogada de aproximadamente 15 horas para quem for jogar pela primeira vez. Uma segunda run já dá pra cair pra bem menos de 10 horas. A linearidade do jogo impede a exploração do monte Olimpo, fazendo com que os objetivos sejam diretamente ir de um ponto A até o B, coletar uma ferramenta ou habilidade nova, e voltar para o ponto A e assim ir para o ponto C. O vasto mundo do jogo é totalmente jogado pra escanteio, e seus segredos de fácil acesso fazem com que o jogo seja rapidamente finalizado sem muitas dificuldades.
Dificuldades essa que deixam a desejar
O momento mais oportuno para um quebra cabeça digno do jogo, "O Labirinto", é um corredor de seguir em frente e apertar um botão, uma horda de inimigos, e depois seguir mais em frente fazendo a mesma coisa. Todo o contexto, peso narrativo e histórico, é completamente jogado no ralo em poucos minutos de gameplay que deixam um gosto amargo de "Poxa só isso? Todas essas caixas pra quase nada?"
Santa Mônica quis corrigir um problema grande dos jogos anteriores: a extrema quantidade de QTE de esmaga botão ao ponto de jogadores às vezes jogarem o controle do PS2 na parede. GOW 2 é conhecido por ter muitos puzzles de QTE cansativos e repetitivos, além de batalhas contra chefes e hordas cansativas de longas e repetitivas. No terceiro jogo, eles diminuíram muito tudo isso, que chegou ao ponto de ser até sem graça, apenas dando um desafio para aqueles que jogam na dificuldade mais alta. Mas isso não altera o fatos dos minigames e puzzles serem extremamente simples de serem resolvidos, claro comparado com seus jogos antecessores.
O ápice da dificuldade realmente fica na batalha final contra Zeus (que convenhamos não é grandes spoilers sabendo que é literalmente o vilão da saga), e sua batalha dividida em 3 partes são o incremento de toda a dificuldade do jogo, mas ainda fica bem abaixo que seus antecessores. Não leve a mal, não quero dizer que GOW 3 precisava ser um “soulslike” da vida, mas o grau de dificuldade decaiu bastante dos seus antecessores, que basicamente o jogo é simples e fácil. São poucas variedades de inimigos comparado aos outros jogos, fazendo com que o jogo seja simples e rápido, além de não existir nenhum inimigo a altura de um grande desafio. Seus puzzles sem muita dificuldade deixam a desejar, pois fica no ar a sensação que eu passei de primeira e foi ridiculamente fácil.
Um bom exemplo que poderia ter sido bem aproveitado era a grande oportunidade do Labirinto de Dédalo, onde você só seguia em frente e lutava contra uma horda de inimigos. Se o jogo soubesse usar bem o quebra-cabeças no labirinto, acredito que teria sido muito mais gratificante do que apenas uma linearidade chata e sem nexo, pois depois de montar vários caixotes, você passa por poucas salas até terminar ele. Gostaria de falar mais aqui, mas já seria spoilers, então deixamos apenas esse ponto.
Gameplay rápido como um verdadeiro Hack 'n' Slash
A saga God of War, junto de outros jogos como Devil May Cry, consagraram o mundo que conhecemos hoje de Hack 'n' Slash, e que é apreciado por aqueles que dominam os combos infinitos de botões rápidos e ligeiros, mas com estilo
Além dos gráficos, o ponto que brilha no final da saga gregoriana de Kratos é seu gameplay: movimentos belos e cruéis, violentos e sedosos com suas lâminas de fogo, aqui eles souberam caprichar com seu moveset e gameplay. Combos de +50 ou até +100 hits são fáceis de fazer, e muito prazerosos ao esquivar e até parear alguns golpes dos inimigos. O prazer de ter o controle fluido de Kratos dançando e cortando seus inimigos é algo bem fluido e divertido de jogar. Não é à toa que é considerado por muitos o melhor GOW em quesito de gameplay.
O problema de fato foi a falta de variedades de armas: todas as armas que você vai pegar, são literalmente um complemento das correntes de Kratos, tirando apenas um quebrador de socos do Cestus de Neméia, que tiramos de um dos filhos de Zeus, Hércules, as demais armas que pegamos são complementares dos movimentos baseado na lâmina do Exílio (ou a do Chaos, que é do primeiro jogo). Faltou algo como uma lâmina pesada do primeiro jogo, ou talvez uma lança como segundo. Admito aqui que queria uma variedade bem maior.
Trilha sonora que merece ser salva na sua streaming de músicas
Toda a trilha sonora de God of War é uma obra prima, mas o 3 tem alguns toques em especiais que o deixam marcantes durante as batalhas contras os chefes
A trilha sonora do começo ao fim é uma obra de artes feita para os ouvidos. As melodias orquestradas a cada momento do jogo. Todos os temas de batalha, sem exceção, são perfeitos. Músicas que misturam o rock com metal em melodias estilos gregorianas, colocam o peso da violência e desespero de Kratos atrás de sua vingança.
Em especial quero deixar a música mais épica da saga inteira (ao menos pra mim), que é o tema de batalha contra Zeus, ao estilo de gameplay em 2D, incrivelmente perfeito para essa batalha em especial. Vou deixar o video com a musica, sem spoilers da batalha final (e quem conhece, sabe que é unico)

Conclusão
Sua importancia para o lançamento no PS3 é indiscutivel, e o prazer de terminar uma trilogia de forma gloriosa e violenta faz com que o jogo sejá uma obra prima. A tristeza fica de fato por ser curto demais
God of War 3 é consagrado não só por mim, como vários gamers e até mesmo estúdios de jogos como a obra prima que pesou em seu termo narrativo, e que é exemplo para milhares de jogos após seu lançamento. Finalizar a angústia e sofrimento de Kratos desde o começo até o fim de seus dias foi emocionante e cruel, e essa reta final do jogo foi uma explosão magnífica em todos os sentimentos e expressões. Seus gráficos para sua época e seu remaster mostram que a Santa Monica não brinca em casa, e mesmo após os lançamentos posteriores ao GOW 3, ele ainda mantém seu semblante de jogo único, divertido e cativante e rápido.
A tristeza maior fica diretamente com a duração do jogo. Como eu disse, ao zerar, o gosto de “queria muito mais” fica na boca, e você fica apenas com a opção de re-jogar o jogo em dificuldades mais altas (o que não perde a graça do jogo).
Após zerar e pegar os coletáveis, você ainda tem os desafios especiais no menu de extras bem difíceis e divertidos, que conforme você avança libera novos trajes e roupas para o Kratos.
Para todos os Sonystas de plantão, God of War 3 é um jogo obrigatório de se ter em sua prateleira, zerado e platinado na sua conta da PSN, e ainda ter o orgulho como um dos melhores jogos da sua empresa. Seu único pecado é ainda estar preso nas plataformas da Sony no PS3 e PS4, onde infelizmente não tivemos o anúncio de uma coletânea completa do jogo para PS5 ou até mesmo o PC...
O remake da saga Grega
Mas nem tudo são mágoas meu caro amigo de Olimpo!
No começo do ano, no evento State of Play, da Playstation, tivemos o anúncio do remake da saga Grega dos 3 jogos principais. Neste remake a Santa Mônica terá a oportunidade de corrigir todos os problemas citados aqui além dos dois primeiros jogos. A comunidade pede por um jogo completo, do início ao fim, sem ser algo parecido que foi feito com o Remake de Final Fantasy VII, podendo ser um dos maiores jogos de todos os tempos. O peso de levar esse legado ao Remake é de grande responsabilidade na indústria de games, e muitos estão ansiosos para rever a ascensão de Kratos até o embate contra seu pai Zeus. A oportunidade de mostrar a indústria de games que jogos singleplayer com foco narrativo está na porta, só basta saberem fazer da forma certa. E estamos vendo atualmente como as empresas estão apostando demais em remakes e nostalgias.
Mas a análise também é sua!
E você, caro leitor, está ansioso/a para o remake do nosso glorioso Kleitão, Claudio, Claudinei, ou como você o chama intimamente? Considera GOW 3 um dos melhores jogos da Sony? Sua opinião é de extrema importância para a gente!
O que mandou bem
- A melhor trilha sonora da saga
- Graficos perfeitos pra sua época de lançamento
- Dar porrada em Zeus até cansar de apertar "O" não tem preço
- Todas as batalhas contra bosses são cinematográficas
Pontos neutros
- O jogo é extremamente linear
- Simplicidade dos puzzles
O que pode melhorar
- É o jogo mais curto da saga GOW
- As novas "armas" são basicamente novos movsets das Blades of Exiles
- Fator replay baixo
Kratos finalmente abraçou a rendenção, aceitou sua culpa e se redimiu de seus pecados, em um jogo que finaliza a saga de forma ÉPICA


Comentários