Por que você deveria abraçar o ritmo mais lento de GTA 6
Rockstar promete transformar até as atividades mais simples em experiências cheias de detalhes, seguindo uma filosofia já vista em Red Dead Redemption 2.

Se, enquanto assistia à apresentação estendida de GTA 6 na Netflix ou acompanhava as gameplays vazadas pelo Cyberleek, você teve a impressão de que tudo parecia acontecer em um ritmo mais lento, saiba que não estava errado. A Rockstar Games realmente decidiu desacelerar alguns aspectos do jogo, e existe uma explicação para isso: o nível de detalhes e realismo que a empresa pretende alcançar em Vice City.
Em uma entrevista à revista EDGE, Rob Nelson, co-chefe da Rockstar North, explicou que a equipe chegou a testar o novo mundo utilizando o mesmo ritmo de passagem do tempo e de movimentação de GTA V, mas o resultado não funcionou como esperado. Segundo o desenvolvedor, tudo parecia rápido demais diante do salto visual e da quantidade de detalhes presentes no novo jogo.
Entenda por que um mundo mais lento pode tornar GTA 6 ainda melhor
Durante muitos anos, a série Grand Theft Auto construiu sua identidade em torno da liberdade, do caos e da possibilidade de fazer praticamente qualquer coisa. Você podia atravessar a cidade em alta velocidade, trocar de veículo, iniciar uma perseguição policial e, poucos minutos depois, estar envolvido em outra atividade completamente diferente.
A impressão é que a Rockstar quer dar mais espaço para você estar naquele mundo, mas isso não significa abandonar a ação ou transformar o jogo em uma experiência excessivamente lenta, mas sim permitir que determinadas situações tenham mais tempo para acontecer, sem que tudo precise ser resolvido imediatamente.
Uma das mudanças mais interessantes está na própria passagem do tempo. A Rockstar decidiu prolongar o ciclo entre dia e noite, fazendo com que os pores do sol sejam mais demorados e os períodos noturnos durem mais. Pode parecer uma alteração pequena, mas ela muda a maneira como iremos percebe o ambiente.
Diferentemente dos jogos anteriores, determinadas ações aconteciam quase instantaneamente, GTA 6 pretende adicionar pequenas etapas para tornar a experiência mais convincente. É uma abordagem que lembra o que já vimos em Red Dead Redemption 2, onde atividades simples, como pegar um objeto, saquear um corpo ou cuidar do cavalo, aconteciam por meio de animações próprias, dando mais peso às ações do jogador.
Um exemplo apresentado na matéria da Kotaku envolve a maneira de conseguir veículos. Em GTA 5, o jogador podia solicitar um carro e encontrá-lo praticamente de imediato. Em GTA 6, por meio do aplicativo Scooter Bros, um entregador levará o veículo até você, estacionará e seguirá seu caminho.
O interessante é que o você não estará apenas recebendo um veículo, mas poderá observar uma pequena situação acontecendo ao seu redor. Existe alguém trabalhando, cumprindo uma entrega e seguindo sua rotina dentro de Vice City. É esse tipo de detalhe que ajuda a construir a sensação de que a cidade não existe apenas para servir nos servir, mas possui uma vida própria.
A influência de Red Dead Redemption 2
Arthur Morgan não era apenas um personagem que corria de uma missão para outra. Havia tempo para cuidar do cavalo, observar os acampamentos, conversar com outros personagens e realizar atividades que não contribuíam de maneira direta para a progressão da história, mas que nos emergia naquele mundo.
Para mim, essa foi uma das decisões de gameplay que mais me chamaram a atenção. Durante muitas e muitas horas, simplesmente cavalgava sem rumo, sem necessariamente procurar uma missão ou algum objetivo específico. No caminho, acabava me deparando com um mundo rico, cheio de pequenos acontecimentos, personagens com suas próprias histórias e situações inesperadas. E acredito que é justamente esse tipo de sensação que a Rockstar pode tentar trazer para GTA 6: fazer com que o jogador não sinta que está perdendo tempo quando decide parar, observar e aproveitar o mundo ao seu redor.
Segundo as informações divulgadas pela Kotaku a partir da entrevista à EDGE, a Rockstar também está trabalhando para evitar que a campanha seja feita rapidamente, com o jogador emendando uma missão na outra sem tempo para fazer mais nada.
Uma das maneiras para burlar isso parte da necessidade de conseguir dinheiro para fazer determinadas missões. É uma dinâmica que lembra o que já vimos em GTA: Vice City, onde algumas missões exigiam que Tommy Vercetti investisse em propriedades e negócios para conseguir avançar na história. Essa necessidade de fazer dinheiro fora das missões principais pode ajudar a dar mais naturalidade à progressão da história, dando motivos para explorar a cidade.
Talvez seja justamente por isso que algumas coisas precisem acontecer mais devagar. Afinal, não adianta construir uma Vice City cheia de detalhes se o jogador estiver sempre correndo de um objetivo para outro, sem tempo para perceber o que existe pelo caminho.

Com certeza será uma escolha que irá dividir opiniões, principalmente entre aqueles que preferem uma campanha mais direta. Para esse público, ter que parar a história para conseguir dinheiro, esperar por determinadas situações ou cumprir tarefas paralelas pode acabar parecendo uma obrigação, e não necessariamente uma oportunidade de aproveitar melhor o mundo.
Pessoalmente, gosto da ideia de ter motivos para sair da rota principal, conhecer melhor a cidade e simplesmente deixar que algumas situações aconteçam naturalmente. Red Dead Redemption 2 já mostrou como essa abordagem pode funcionar quando existe cuidado na construção do mundo. Agora, resta saber se a Rockstar conseguirá levar essa mesma sensação para uma experiência urbana como GTA 6.
No fim, talvez a maior mudança não esteja apenas na velocidade do jogo, mas na maneira como vamos aproveitá-lo. E você, prefere um mundo que permita fazer tudo rapidamente ou acredita que vale a pena desacelerar para aproveitar cada detalhe de Vice City?


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