Ex-Naughty Dog teme que jogos feitos à mão virem "catedrais do passado"
Ex-artista da Naughty Dog alerta que o avanço de novas tecnologias pode extinguir o trabalho manual nos games, transformando produções atuais em relíquias.

Matt Radford, ex-artista de efeitos visuais da Naughty Dog, acredita que jogos como Uncharted 4 e The Last of Us Part II podem ser lembrados de uma forma bem diferente no futuro. Durante o Kiwi Talkz, Radford fez um paralelo entre os grandes jogos e as velhas catedrais europeias.
A ideia é óbvia: perdeu-se a mão-de-obra que dominava aquela arte e ninguém mais constrói daquele jeito. Ele resumiu o problema sem rodeios:
"Você simplesmente não construiria hoje uma catedral antiga como a de Colônia. E nunca mais construirá, porque esse talento nem existe mais", comentou Radford. Ele explica que os métodos de construção evoluíram, mas isso não significa que os prédios modernos tenham as mesmas características das grandes obras arquitetônicas do passado.

O ex-artista teme que algo parecido aconteça com os videogames. Ao citar Intergalactic, Uncharted 4 e The Last of Us Part II, ele fala sobre a quantidade de trabalho humano envolvida na atuação, na escrita, na modelagem, na escultura e na pintura desses jogos. No futuro, talvez as pessoas olhem para essas produções e se surpreendam ao descobrir que tudo aquilo foi feito por profissionais, muitas vezes com um trabalho manual enorme.
Radford não menciona a IA diretamente, mas reconhece que as novas tecnologias estão mudando a produção de jogos e devem alterar tanto o número de pessoas envolvidas quanto o trabalho que elas fazem. E não é difícil entender a preocupação, especialmente quando tantas empresas procuram maneiras de reduzir custos e acelerar projetos.
O problema é que produzir um jogo mais rápido não significa necessariamente produzir um jogo melhor. Resta saber o que vai acontecer com o conhecimento e as técnicas que deixarem de ser usados nessa busca por eficiência. Será que daqui a algumas décadas vamos olhar para os grandes jogos atuais com a mesma admiração que Radford descreve, ou a indústria vai encontrar outras maneiras de fazer coisas ainda melhores?


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