As 6 sagas de jogos com as cronologias mais confusas da história
Confira quais sagas são tão confusas que até seus criadores se perdem em suas histórias

Honestamente, se eu fosse um desenvolvedor ou um roteirista de jogos e tivesse uma ideia de sucesso e o poder de expandir meu universo fictício, não hesitaria em criar 300 spin-offs, 50 prequels e 30 adaptações explorando tudo o que a minha imaginação dispor. Talvez houvesse milhares (talvez milhões) de furos de roteiro mas a história ainda estaria seguindo seu fluxo.
Porém existem casos em que só os responsáveis pela franquia sabem exatamente porque personagem de jogo X apareceu no jogo Y e, muitas vezes, dão margem para teorias que bagunçam ainda mais a narrativa de suas histórias.
A lista de hoje nos apresenta 6 franquias que não são impossíveis de acompanhar mas para quem quer entender tudo, dão uma leve dor de cabeça.
THE LEGEND OF ZELDA

Começando pelo que eu considero particularmente uma das mais simples, a história de The Legend of Zelda é confusa porque a Nintendo sempre priorizou a gameplay em vez de criar uma narrativa linear. O caos temporal começou de vez com Ocarina of Time do Nintendo 64, cujo desfecho acabou dividindo a cronologia oficial da série em três linhas do tempo paralelas.
Para complicar, a franquia se baseia em ciclos de reencarnação: você quase nunca joga com o mesmo Link, mas sim com novas versões do herói separadas por milênios. Quando a Nintendo finalmente tentou organizar essa lore em livros, jogos mais recentes como Breath of the Wild bagunçaram as regras novamente, provando que o melhor mesmo é apenas plugar o controle e curtir a aventura sem tentar fechar a matemática do universo.
MORTAL KOMBAT

Ok, essa é outra saga que não é tão complicada de entender, mas se tratando de uma franquia que traz spin-offs canônicos e foi rebootada duas vezes e ainda por cima trouxe a ideia de Multiverso em Mortal Kombat 1 (2025), não é errado considerá-la nessa lista.
Além dessa montanha-russa temporal, a lore é confusa pelo hábito da série de nunca deixar ninguém morto de verdade e de alterar o passado dos lutadores constantemente (os famosos retcons). Personagens morrem de forma brutal, voltam como zumbis do submundo, recuperam a humanidade e trocam de heróis para vilões o tempo todo. Com tantas realidades colidindo, tentar fechar a matemática dessa cronologia é uma tarefa exaustiva, deixando claro que o melhor mesmo é não pensar muito e focar no que importa: os Fatalities e a pancadaria.
METAL GEAR SOLID

Acredito que quando Hideo Kojima decidia fazer uma sequência de Metal Gear Solid ele simplesmente colocava em prática a primeira história que vinha à cabeça e dane-se a lógica.
Só isso explica a ideia dele fazer do terceiro jogo da saga como o primeiro da cronologia oficial e Metal Gear Solid 5 se passar antes mesmo do primeiro jogo lançado em 87. Para dar um nó ainda maior, a série é baseada em clones: você passa metade do tempo tentando descobrir se está controlando o lendário Big Boss ou um de seus filhos genéticos, como o clássico Solid Snake.
Além dessa bagunça na linha do tempo, a mente de Kojima encheu a narrativa de conspirações políticas gigantescas e reviravoltas absurdas. Quase tudo nesse universo acaba sendo justificado por "nanomáquinas", agentes que mudam de lado três vezes na mesma história e uma inteligência artificial secreta controlando o mundo (os Patriots). É uma salada de espionagem tão densa que, muitas vezes, o melhor é só aproveitar a genialidade da furtividade e das cutscenes cinematográficas sem tentar conectar todos os pontos de cabeça.
DRAKENGARD E NIER

O universo de Drakengard e NieR dá um nó na cabeça porque a franquia inteira está conectada através de finais alternativos absurdos. Para você ter uma ideia, o primeiro NieR nasceu como a continuação do "Final E" de Drakengard - um desfecho que parecia uma piada, onde um dragão e um guerreiro medieval são repentinamente teletransportados para a Tóquio moderna. Além disso, o diretor Yoko Taro construiu a estrutura dos jogos exigindo que você zere a campanha várias vezes para desbloquear a verdadeira história, mudando a perspectiva e revelando novos segredos a cada jogatina.
Como se essa loucura de saltos temporais e dimensões não bastasse, entender a narrativa completa é quase impossível jogando apenas os games. Pedaços fundamentais da lore (que explicam como fomos daquela fantasia sombria inicial para o futuro pós-apocalíptico com os androides de NieR: Automata) estão escondidos em peças de teatro exclusivas do Japão, livros e mangás. É uma linha do tempo tão fragmentada em diferentes mídias que a melhor dica para curtir a saga é simplesmente relaxar, aproveitar a trilha sonora inesquecível e aceitar a crise existencial sem tentar conectar cada detalhe.
FNAF

A história de Five Nights at Freddy's (FNAF) é um verdadeiro quebra-cabeça porque o criador da série nunca entregou a narrativa de bandeja. Em vez de cutscenes diretas, a trama é contada quase inteiramente através de easter eggs, áudios enigmáticos de telefone e minigames secretos com gráficos no estilo Atari. Como o sucesso da franquia foi totalmente inesperado, os jogos foram crescendo meio que no improviso, transformando o que era para ser um simples jogo de terror em uma pizzaria numa teia complexa (e cheia de retcons) focada nos assassinatos e na tragédia da família de William Afton.
Para dar um nó definitivo na cabeça de quem tenta acompanhar a cronologia, jogar os games não é suficiente para entender tudo. Pedaços cruciais da lore (como o mistério por trás da famosa "Mordida de 87" ou a ciência bizarra de como as almas possuem os robôs) estão espalhados por dezenas de livros que muitas vezes misturam a história oficial com universos paralelos. A narrativa ficou tão fragmentada que os fãs dependem de documentários e teorias intermináveis no YouTube para tentar ligar os pontos. Sinceramente, é melhor se preocupar apenas com os sustos...
Kingdom Hearts

Chegamos agora na (possivelmente) saga mais bagunçada da história. Entender tudo de Kingdom Hearts virou uma missão quase impossível porque a Square Enix espalhou os pedaços da trama por todos os consoles que você possa imaginar. Quem jogou os clássicos no PS2 achou que estava entendendo tudo, mas logo descobriu que os jogos lançados para Game Boy Advance, PSP, Nintendo DS e até celulares não eram spin-offs opcionais, mas sim continuações totalmente obrigatórias. Essa fragmentação absurda fez muita gente chegar ao tão aguardado Kingdom Hearts 3 completamente perdida na cronologia.
Como se essa maratona de plataformas não bastasse, a narrativa mistura a magia simples da Disney com a complexidade mais caótica dos RPGs. A lore foi infestada por viagens no tempo, corações divididos, pessoas sem corpo (os Nobodies) e um vilão que espalhou pedaços da própria alma em dezenas de hospedeiros diferentes. É uma teia tão insana e cheia de personagens que faz o jogador mais apressado buscar um resumão no youtube. Felizmente, as coletâneas Integrum Masterpiece e Collection (I-III) deixam tudo mais organizado pros novatos nesse universo.
Conhece mais alguma saga que se enquadra nesta categoria? Conta pra gente!


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