Shigeru Miyamoto comenta sua opinião sobre a IA e o impacto no trabalho humano
O lendário desenvolvedor foi entrevistado recentemente e afirmou que não se pode substituir o trabalho criativo humano

O diretor representante e membro honorário da Nintendo, Shigeru Miyamoto, foi selecionado pelo governo do Japão para receber a Ordem de Cultura referente ao ano fiscal de 2026.
A Ordem da Cultura é uma honraria concedida a indivíduos que fizeram contribuições significativas para o desenvolvimento da cultura japonesa em áreas como arte, conhecimento, ciência e tecnologia.
Essa é a primeira vez que um desenvolvedor de jogos eletrônicos recebe a honraria. A trajetória de Miyamoto já foi reconhecida com outras importantes honrarias internacionais, como a Ordem das Artes e Letras da França (Cavaleiro, em 2006) e um BAFTA (2010), além do título de Personalidade de Mérito Cultural recebido no Japão em 2019. O anúncio oficial foi detalhado durante uma coletiva de imprensa na sede da Nintendo, em Kyoto.
Durante a coletiva de imprensa, Miyamoto foi questionado sobre a utilização da Inteligência Artificial (IA) generativa, que está reduzindo as barreiras de criatividade e possibilitando na redução do tempo no desenvolvimento de jogos.
Confira a resposta do produtor sobre o assunto:
Essa é uma pergunta muito complexa.
Na minha época, tivemos um rápido surgimento da computação e, antes disso, digitávamos em máquinas de escrever. Depois vieram os processadores de texto, e as ferramentas continuaram evoluindo.
No passado, por exemplo, os designers aprendiam lettering na escola, a como escrever letras bonitas para pôsteres. Se você conseguisse fazer isso, poderia ser chamado de designer. Ou, se você pegasse um tipo de design popular no exterior, traduzisse para o japonês e diagramasse, também poderia ser chamado de designer.
Com o passar do tempo, os computadores e processadores de texto evoluíram, eles passaram a importar texto e imagens de algum lugar, e até mesmo desenhar letras bonitas. Com a evolução desses aspectos tecnológicos e técnicos, o senso de layout e a habilidade individual de design finalmente ganharam destaque.
Eu sempre separo o significado de "criar coisas" do significado "executar o trabalho".
Quando você quer criar algo, você cria uma grande estrutura, certo? Você está tentando avançar em direção a algo. Depois disso, é só trabalho. Preencher as lacunas, finalizar bem e assim por diante.
O problema é que o trabalho é divertido. Há uma grande sensação de satisfação em criar algo, como os escritores sabem. Alguém pode encontrar satisfação no próprio trabalho e acreditar erroneamente que "criou uma obra de alta qualidade".
Nesse sentido, quanto mais a IA substitui essas tarefas, mais ela oferece a oportunidade de refletir sobre o que é realmente importante, o que eu acho positivo.
Ao analisarmos projetos antigos, percebemos que alguns foram criados simplesmente copiando e colando. No entanto, esse tipo de trabalho raramente resiste ao teste do tempo; falta a criatividade individual do criador. Como o processo depende da intenção do indivíduo, com o computador atuando como um auxiliar, acredito que, mesmo com a evolução contínua da tecnologia e mesmo que a IA venha a assumir o controle de tudo, sempre haverá um papel a ser desempenhado por nós.
Em 1981, Shigeru Miyamoto criou o jogo de arcade Donkey Kong. Depois disso, criou algumas das séries mais icônicas da Nintendo, como Super Mario Bros. e The Legend of Zelda.
Nos últimos anos, esteve envolvido na Super Nintendo World no Universal Studios Japan e no filmes de animação Super Mario O Filme (2023) e Super Mario Galaxy (2026).


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