Review - The Blood of Dawnwalker
Um novo estúdio, uma grande ambição e o início de uma jornada promissora no mundo dos RPGs.

Review livre de spoilers, podem ler a vontade!
The Blood of Dawnwalker, desenvolvido pelo estúdio Rebel Wolves, formado por ex desenvolvedores de The Witcher 3, chegou com a promessa de dar continuidade ao legado de seus criadores, entregando um RPG de qualidade, com uma história e uma narrativa a altura do que conhecemos na franquia The Witcher. Nesta análise, vou apresentar os detalhes e os motivos pelos quais considero este jogo um grande primeiro passo na jornada do estúdio.
Gráficos e Ambientação
Os gráficos do jogo são bons, apenas isso. Nada de outro mundo ou que faça seu queixo cair pela qualidade das texturas ou por algum detalhe técnico impressionante. São bons, funcionam e cumprem seu papel.
Mas onde The Blood of Dawnwalker realmente brilha é na ambientação. É aqui que o jogo vai fazer seu queixo cair com toda a certeza! Seja explorando as florestas, visitando castelos ou simplesmente olhando para o céu durante a noite, os cenários são de tirar o fôlego. Acredite, quando subimos ao topo de uma catedral e contemplamos a lua de sangue no céu, com todo o horizonte em nossa frente, é difícil não parar por um instante para admirar essa verdadeira obra de arte.

Combate
O combate de The Blood of Dawnwalker apresenta um sistema omnidirecional, semelhante ao que vemos em jogos como Kingdom Come: Deliverance. Honestamente, acredito que essa escolha foi sensacional e funcionou muito bem. Gosto bastante quando RPGs de ação se desviam um pouco daquela fórmula de combate "um hack and slash um pouco mais duro". Com o sistema omnidirecional, senti que os confrontos eram muito mais dinâmicos e divertidos de executar, tornando cada encontro com os inimigos uma experiência bastante satisfatória.
Tenho apenas uma ressalva em relação ao combate. Felizmente, o problema não acontecia o tempo todo, mas não posso deixar de mencionar essa questão que encontrei durante minha experiência.
Como o combate omnidirecional exige que você se concentre tanto no inimigo a sua frente quanto nos outros ao seu redor, é fundamental que a câmera funcione perfeitamente para não atrapalhar os confrontos. Em alguns momentos, especialmente em ambientes extremamente fechados, a câmera acabava atrapalhando, ficando presa em determinados ângulos e dificultando a visualização dos inimigos. Isso podia comprometer o combate e até mesmo fazer com que eu falhasse em situações nas quais o problema não estava na minha execução, mas sim na câmera.

Arte da Espada, Magias de Sangue e Vampirismo!
Esse tópico ainda está relacionado ao combate, mas ele é tão bom que preferi dedicar uma seção inteira a ele! Meu Gabe Newell (meu Deus), como os poderes desse jogo são incríveis e gostosos de usar! Temos três estilos de combate diferentes para escolher, e o melhor de tudo é que você tem liberdade para decidir qual deles prefere utilizar.
Disponível durante o dia e a noite
O primeiro estilo que vou abordar é simplesmente a arte da espada. Não estamos falando de poderes sobrenaturais ou vampíricos, mas sim das habilidades de combate que Coen aprende ao longo de sua jornada, seja com pessoas experientes pelo mundo ou por meio de manuais de combate. Esse estilo pode ser utilizado tanto durante o dia, na forma humana, quanto a noite, quando assumimos nossa natureza vampírica.
Disponível somente durante o dia
Durante o dia, temos acesso as magias de sangue, habilidades sobrenaturais que lembram bastante a bruxaria e que podem nos auxiliar de diversas maneiras durante os combates. Seja drenando a vida dos inimigos, controlando grupos ou fazendo o sangue dos adversários ferver, existem diferentes possibilidades para escolher e adaptar as suas necessidades.
Disponível somente a noite
Por último, mas definitivamente não menos importante, temos o vampirismo! Pessoalmente, esse foi o estilo mais divertido para mim. Eu fazia questão de deixar a maioria dos meus combates para o período da noite sempre que possível, pois vou falar com toda a sinceridade: controlar um vampiro em um RPG de ação com um combate de boa qualidade foi uma das experiências mais satisfatórias que já tive.
A noite, você pode guardar sua espada e simplesmente utilizar suas garras para causar grandes quantidades de dano, incluindo golpes críticos e efeitos de sangramento. Também é possível tomar o sangue dos inimigos para recuperar sua vida ou simplesmente explodi-los de maneira brutal durante a batalha, fazendo com que os outros adversários tremam de medo.
Sem dúvidas, esse foi um dos pontos mais altos do jogo para mim. A sensação de poder proporcionada pelo vampirismo, combinada com a qualidade do combate, tornou esses confrontos extremamente divertidos e me fez querer aproveitar cada oportunidade para caçar durante a noite.

História e Narrativa
Ambas caminham muito bem juntas, e não senti nenhuma quebra de ritmo durante minha jornada. Estamos constantemente percorrendo o mundo, ajudando pessoas, ou não, dependendo das nossas escolhas, e descobrindo os mistérios por trás da nossa própria natureza vampírica. Afinal, por que não fomos corrompidos pelo mal, se teoricamente, deveríamos ter nos transformado em um monstro? Essas questões despertam nossa curiosidade e nos incentivam a continuar explorando e descobrindo mais sobre o protagonista.
Tudo isso se encaixa muito bem com nosso objetivo principal: salvar nossa família. Essa motivação pessoal dá ainda mais peso a jornada, fazendo com que a exploração do mundo e as descobertas sobre nossa natureza não sejam apenas parte da aventura, mas também elementos que contribuem para a história de Coen.
RPG, Sistema de Tempo e Suas Consequências
Quero deixar bem claro que este é um dos melhores sistemas de tempo que já vi em um jogo. No começo, você pode até ficar ansioso e pensar: "Não vou conseguir fazer tudo, estou ficando desesperado!". Mas calma, é justamente aqui que o jogo brilha! Tudo foi pensado para que suas decisões e a maneira como você gasta seu tempo tenham consequências reais.
O jogo faz um bom trabalho ao indicar quando uma ação vai consumir tempo, então não tenha medo de andar pelo mundo e explorar. Você pode correr em círculos a vontade por ai sem problema algum se quiser, nenhum segundo será consumido. O tempo só passa quando realizamos ações mais importantes.
Vou usar um exemplo genérico nas situações que o jogo apresenta, sem entrar em spoilers. Imagine que você decidiu passar um tempo brincando com seus irmãos. Que pena, alguém pode acabar morrendo por causa disso, pois você ficou sem tempo para ajudar essa pessoa. E sabe o que é interessante? Isso não é necessariamente ruim, falhar faz parte da experiência! As consequências foram pensadas para permitir que você descubra diferentes caminhos e ramificações de suas escolhas, e o jogo trabalha essa ideia com maestria.
Você é livre para fazer literalmente o que quiser. Quer abandonar Vale Sangora e deixar sua família para trás? Você pode! Quer matar inocentes para saciar sua sede de sangue? Você pode! Está em dúvida diante de dilemas morais, tentando decidir até onde está disposto a ir para conquistar mais poder? Então pense bem nas suas escolhas! E quer salvar sua família logo no primeiro dia? Você também pode fazer isso!
O sistema de RPG funciona muito bem justamente porque não tenta obrigar você a seguir um único caminho. Suas ações, decisões e a maneira como você administra seu tempo fazem parte de um sistema muito bem planejado, no qual nem tudo precisa dar certo para que as coisas funcionem, você está escrevendo sua história naquele mundo.
The Blood of Dawnwalker entende que liberdade também significa lidar com as consequências das próprias escolhas, e é isso que torna esse sistema tão interessante.
Atuação e Personagens
Outro ponto excepcional do jogo, e que na minha opinião, pode render bons prêmios durante as grandes premiações no fim do ano, é a atuação dos personagens. É sério, não importa se estamos falando do protagonista ou de um personagem secundário. as atuações são sublimes! A Rebel Wolves reuniu profissionais extremamente competentes para dar vida a esses personagens, e o resultado é simplesmente impressionante.
Sem dúvidas, é uma das melhores atuações que vi em um jogo desde Death Stranding por exemplo. A qualidade das interpretações ajuda a dar mais vida aos personagens e torna suas interações muito mais envolventes, contribuindo diretamente para a imersão e para o impacto emocional da narrativa.

Dificuldade, Progressão e Inimigos
É natural que, conforme conseguimos novos equipamentos e poderes, nosso personagem se torne cada vez mais forte. Porém, o que considero interessante aqui é como essa evolução também está ligada a narrativa.
No início do jogo, você é essencialmente um humano com habilidades decentes na espada, algo que faz sentido considerando que seu pai foi um mercenário experiente e ensinou você a lutar. Entretanto, com a necessidade de salvar sua família, você aprende a dominar sua natureza vampírica e as magias de sangue, e a sua força aumenta gradualmente. A jornada não é apenas sobre adquirir novos equipamentos e desbloquear habilidades, mas também sobre acompanhar a transformação de Coen em um ser cada vez mais poderoso.
No começo, enfrentar mais de um inimigo ao mesmo tempo pode ser um grande desafio, exigindo planejamento e cuidado antes de entrar em combate. Porém, conforme você evolui e aprende a dominar suas habilidades, a situação muda completamente. Chega um momento em que nem mesmo uma guarnição com dezenas de inimigos é suficiente para te impedir. Você deixa de ser alguém que precisa temer cada confronto e passa a se tornar um vampiro poderoso o bastante para desafiar até mesmo os soberanos que governam Vale Sangora. Essa sensação de progressão é extremamente satisfatória, especialmente porque acompanha a evolução do protagonista ao longo da história.
Falando dos inimigos, as batalhas contra os chefes principais merecem um destaque especial. Uma luta consegue ser melhor que a outra, tornando cada vitória ainda mais satisfatória. Como mencionei anteriormente, você tem liberdade para escolher como enfrentar todos eles, seja partindo diretamente para o combate ou buscando maneiras de enfraquecê-los antes de iniciar a batalha. Essa liberdade torna os confrontos mais interessantes, pois permite que você use os recursos disponíveis e adapte sua estratégia de acordo com suas preferencias.

Trilha Sonora
Aqui dispensa comentários! A trilha sonora de The Blood of Dawnwalker apresenta uma forte influência da música medieval europeia, algo que também marcou presença em The Witcher. Se você gostou da trilha sonora de The Witcher, pode ter certeza de que vai adorar o trabalho musical de Dawnwalker!
A música combina muito bem com a proposta do jogo, ajudando a dar vida ao seu mundo e reforçando essa atmosfera de fantasia medieval sombria. É aquele tipo de trilha sonora que complementa a exploração e faz com que você se sinta ainda mais imerso nesse universo, tornando a jornada muito mais envolvente. Afinal, em um RPG como este, a música tem um papel importante não apenas em acompanhar a aventura, mas também em ajudar a construir a identidade do mundo que estamos explorando.

O que mandou bem
- Ambientação e direção artística
- Combate dinâmico e satisfatório
- Atuações excepcionais e personagens marcantes
- Poucos bugs, mesmo em um jogo de grande escala
- Sistema de tempo e consequências
- Trilha sonora incrível
Pontos neutros
- Chefes durante tarefas opcionais não apresentam grande variedade
O que pode melhorar
- Problemas ocasionais com a câmera durante o combate
- Otimização
The Blood of Dawnwalker marca uma estreia brilhante para a Rebel Wolves e promete o início de uma grande saga.


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