Gears of War: E-Day pode garantir a 3ª vitória gráfica consecutiva do Xbox na Digital Foundry
Depois de Indiana Jones e DOOM: The Dark Ages, o novo Gears promete consolidar a sequência de proezas técnicas dos estúdios da Microsoft.

A Digital Foundry publicou uma análise técnica aprofundada de Gears of War: E-Day após visitar a The Coalition e conversar com o responsável pelo desenvolvimento. O resultado é um mergulho em algumas das tecnologias utilizadas pelo jogo e em como o estúdio conseguiu colocar recursos avançados da Unreal Engine 5 para funcionar nos consoles.
O momento chama atenção pelo histórico recente. Nos últimos anos, dois jogos lançados no ecossistema Xbox também ficaram entre os destaques técnicos analisados pela Digital Foundry: Indiana Jones and the Great Circle e DOOM: The Dark Ages.
Em 2024, Indiana Jones and the Great Circle chamou atenção pelo uso da tecnologia da MachineGames e pela combinação de ray tracing com um alvo de 60 FPS nos consoles. A Digital Foundry elogiou o resultado técnico alcançado pelo estúdio.
Já em 2025, foi a vez de DOOM: The Dark Ages. O jogo utiliza uma nova versão da id Tech e recebeu elogios da DF pelo nível visual, desempenho e pelas soluções empregadas pela id Software para levar a tecnologia da engine aos consoles.
Agora, Gears of War: E-Day aparece na sequência.
A The Coalition está usando a Unreal Engine 5 para construir o jogo e trabalhou diretamente com a Epic Games em diferentes recursos tecnológicos. A Digital Foundry analisou sistemas como MegaLights, Lumen com ray tracing por hardware e recursos do Nanite aplicados aos personagens e aos ambientes.
Como roda no Series X?
No Series X, Gears of War: E-Day possui três modos gráficos: Performance, Balanced e Quality, com metas de 60, 40 e 30 FPS, respectivamente.



A análise da Digital Foundry aponta que o jogo consegue entregar uma experiência bastante sólida em 60 FPS em boa parte da campanha, embora áreas urbanas maiores e mais abertas possam representar desafios maiores para o hardware.
Assista à análise completa no YouTube:

MegaLights é uma das grandes apostas
Um dos principais destaques é o MegaLights, sistema de iluminação desenvolvido pela Epic que permite trabalhar com uma quantidade muito maior de fontes de luz dinâmicas, incluindo sombras em tempo real.
Segundo a análise, a tecnologia passou por um processo pesado de otimização durante o desenvolvimento de E-Day. Uma demonstração anterior do MegaLights rodava no PS5 em 1080p e 30 FPS. Em parceria com a Epic, a The Coalition conseguiu mais que dobrar o desempenho do sistema para utilizá-lo no jogo com uma meta de 60 FPS.
Na prática, isso permite que elementos como postes, veículos, disparos e outras fontes de iluminação participem de uma iluminação dinâmica muito mais complexa.
É uma das tecnologias que ajudam a explicar por que os ambientes de E-Day conseguem apresentar uma quantidade tão grande de informações visuais simultaneamente.
Nanite também chegou aos personagens
Outro ponto interessante está no uso do Nanite Skinning.
A tecnologia leva o sistema de geometria virtualizada da Unreal Engine para personagens animados, algo bem mais complicado do que utilizá-lo em ambientes estáticos.
Os protagonistas de E-Day possuem mais de 300 mil triângulos, aproximadamente quatro vezes a quantidade utilizada nos personagens principais de Gears 5. A The Coalition também desenvolveu sistemas próprios para rigs, expressões faciais, cabelos e outros elementos dos personagens.
Isso permite trabalhar com modelos extremamente detalhados sem depender da mesma abordagem tradicional de troca de níveis de detalhe, conhecida como LOD.
Lumen, ray tracing e destruição
A The Coalition também utiliza Lumen com aceleração por hardware para iluminação global e reflexos, enquanto o ray tracing ajuda a lidar com a representação de luz e superfícies.
A The Coalition também utiliza Lumen com aceleração por hardware para iluminação global e reflexos, enquanto o ray tracing ajuda a lidar com a representação de luz e superfícies.
O resultado é especialmente perceptível nos ambientes mais escuros de E-Day, que dependem bastante de iluminação dinâmica para construir a atmosfera da campanha.
A destruição também recebeu atenção. Objetos, coberturas e outros elementos do cenário podem reagir aos impactos, enquanto sistemas de partículas e física ajudam a produzir detritos durante os combates.
O jogo ainda utiliza motion matching, tecnologia que seleciona animações de uma grande biblioteca em tempo real para produzir transições mais naturais entre movimentos.
E o Xbox Series S?
A The Coalition precisou usar toda a sua criatividade para deixar a versão do Xbox Series S à altura do console.
O Series S possui 10 GB de memória compartilhada, contra 16 GB do Series X. Para lidar com a quantidade de dados utilizada por E-Day, a The Coalition desenvolveu uma solução que utiliza parte do SSD do console como uma camada adicional de memória.
Segundo a equipe, alguns gigabytes do SSD podem fornecer aproximadamente 1 GB adicional de memória utilizável para o jogo. O sistema decide quais dados podem ser transferidos para o armazenamento e quais precisam permanecer na memória mais rápida.
Claro que isso não significa adicionar RAM fisicamente ao console. SSD é muito mais lento, então a técnica só funciona porque a equipe selecionou cuidadosamente quais dados poderiam ser armazenados dessa maneira.
Ainda assim, a solução permitiu à The Coalition preservar uma parcela maior da estrutura visual do jogo no Series S.
Isso não significa que os dois consoles entreguem exatamente a mesma experiência. O Series S precisa fazer concessões maiores, principalmente em resolução e qualidade visual, e os testes da Digital Foundry identificaram quedas e travamentos momentâneos em algumas das áreas mais pesadas.
No fim, Gears of War: E-Day funciona como uma demonstração do que a Unreal Engine 5 pode fazer nos consoles atuais. A parceria entre The Coalition e Epic permitiu ao estúdio explorar novas tecnologias e extrair mais do hardware do Xbox Series.
Gears of War: E-Day já está disponível para PC, Xbox Cloud e Xbox Series X|S.


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